A nova avenida que a Prefeitura está construindo na antiga BR 116 passará, numa primeira etapa, por dez bairros da cidade ? Pinheirinho, Capão Raso, Novo Mundo, Xaxim, Fanny, Hauer, Parolin, Prado Velho, Guabirotuba e Jardim Botânico. Juntos, somam uma área de 4,6 mil hectares, onde estão 250 mil pessoas e 20.106 empresas, a maior parte estabelecimentos de comércio (8.323), seguido de serviços (6.300) e indústria (2.091).

Em área verde, são 659 mil metros quadrados de parques, praças, jardins e eixos de animação. Na área da saúde, são 22 equipamentos municipais – unidades básicas de saúde, dois Centros de Urgências Médicas 24 horas (Pinheirinho e Boqueirão), Laboratório Municipal e Centro de Controle de Zoonoses e Vetores. Escolas, creches, centros de educação especial e de atendimento especializado e Faróis do Saber somam 57 equipamentos municipais de educação.

No abastecimento, Armazéns da Família, mercadões, varejões e vendas diretas de produtos da roça e do mar somam 58 equipamentos, sem contar o Mercado Municipal, localizado no bairro Jardim Botânico – o maior centro de compra e venda administrado pelo Município, além de ponto de encontro e de história dos curitibanos. Em quatro bairros Capão Raso, Novo Mundo, Pinheirinho e Xaxim, 6.000 famílias foram beneficiadas por algum programa de habitação da Prefeitura.

Perfil

Os bairros que terão a Linha Verde como sua principal avenida têm perfis e histórias diferentes. O maior deles, em extensão, é o Pinheirinho, com 1.073 hectares, seguido do Xaxim (892 ha), que concentra a maior população, 60,5 mil habitantes, segundo estimativa feita em 2005 pelo IBGE.

O menor número de habitantes é do Jardim Botânico (7 mil pessoas), bairro que tem sua atividade econômica centrada na prestação de serviços, ao contrário do Hauer e Novo Mundo, onde o forte é o comércio. O maior número de indústrias está no Xaxim (505), seguido do Pinheirinho (298) e Hauer (278).

O Pinheirinho, segundo os registros, é um dos mais antigos. Surgiu em 1800, quase 200 anos antes do bairro Fanny – com quem divide a Linha Verde -, criado na década de 80. O Parolin nasceu de uma serraria. O Prado Velho já foi o bairro mais chique da cidade, quando se chamava Prado Curitibano e abrigava o Hipódromo de Curitiba, onde hoje funciona a Pontifícia Universidade Católica.

O Hauer deve seu nome ao industrial que instalou a luz elétrica em Curitiba, o imigrante alemão Joseph Hauer. O Guabirotuba já foi propriedade particular de um vigário, Dom Ignácio Lopes. O Jardim Botânico nasceu Capanema, que na língua Tupi quer dizer "mato ruim", embora a tradução nada revele das características da região – o antigo jardim do Barão de Capanema foi descrito na visita de D. Pedro II como digno de menção entre os melhores do Império.

A abertura de novos caminhos na cidade deu origem ao Xaxim, bairro que surgiu a partir da implantação da rua Francisco Derosso, ligando Curitiba a São José dos Pinhais. A Estrada de São José também daria origem ao Capão Raso, enquanto tropeiros acampavam e traziam produtos para vender, principalmente erva-mate, no Armazém Novo Mundo, que deu nome ao bairro.

Segregação

Com origens e perfil econômico diversos, os dez bairros cortados pela Linha Verde vivem um novo momento de sua história, agora com um ponto em comum: a integração pela nova avenida, a maior intervenção urbana na capital paranaense desde a criação da Cidade Industrial, no início dos anos 70.

Implantada na década de 50, a BR 116 virou um eixo de segregação dos bairros "do lado de lá" e "do lado de cá" da rodovia. De um lado – à esquerda no sentido Sul/São Paulo – ficam o Capão Raso, Fanny, Parolin, Novo Mundo, Prado Velho e Jardim Botânico; do outro, Pinheirinho, Xaxim, Hauer, Guabirotuba.