O entregador de jornais Davi de Freitas mora na Vila Angra, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), há quase 20 anos. Além de testemunhar o crescimento da região, que hoje tem quase 10 mil moradores, ele viu também a vila ganhar corpo ao lado de um antigo lixão, de 20 mil metros quadrados, utilizado por moradores e empresas entre 1982 e 1988. Nesse período, foram despejadas no local 312 mil toneladas de resíduos.

Após a desativação do depósito, a prefeitura conseguiu evitar que casas fossem construídas em boa parte da área. No entanto, ao redor da grande montanha de lixo, milhares de residências foram levantadas. Davi afirma que, apesar de desativado, o local ainda é destino de muito lixo. “Volta e meia vemos caminhões vindo depositar entulho de obras. Até a prefeitura vem aqui e despeja a terra retirada de cavas e rios da cidade”, denuncia.

O motorista Laurindo Custódio, que mora na Vila Angra há dez anos, conta que quando há despejo de lixo, todo a área é tomada pelo mau cheiro. “Além do fedor, tem rato e tudo que é tipo de inseto”. Segundo ele, por ser um local grande e ocioso, o antigo depósito se tornou um ponto de consumo de drogas. “Não é difícil ver a piazada fumando crack e maconha. À noite a situação piora e não dá pra andar pela vila”, desabafa.

Há anos, os moradores da Vila Angra lutam pela construção de quadras esportivas no local do antigo lixão. “Já que não pode construir mais casas, porque dizem que o peso da obra pode gerar explosões por causa dos gases do lixo, a prefeitura devia construir canchas pra criançada do bairro brincar. Passou da hora de construir algo pra população nesse espaço”, opina Davi.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, não há projetos para a Vila Angra. “Por ter sido usado como depósito de resíduos, o local é impróprio para receber qualquer tipo de equipamento”, informa. A manutenção e remoção do lixo estão previstas para os próximos dias.

Confira o vídeo com o depoimento de Davi.