A falta de um plano de desenvolvimento para a Ilha do Mel, no litoral norte do Estado, vem acarretando diversos problemas para os moradores do local. Alguns se queixam de omissão das autoridades, mas há quem tenha encontrado soluções simples para problemas como o do lixo.

Em matéria publicada na edição de sexta-feira de O Estado, donos de pousadas reclamam que o governo do Estado vem sendo omisso em relação à ilha, que é considerada um dos principais pontos turísticos do Paraná. Na última temporada – de dezembro a março – mais de 90 mil pessoas visitaram o local. Os 1.140 moradores sofrem com a falta de infra-estrutura, e afirmam que em época de temporada a situação se agrava.

Entre os principais problemas destacados pelos moradores está a erosão marinha, as invasões de áreas, falta de médicos, proliferação de cachorros e gatos e o acúmulo de lixo – este considerado o mais greve. Hoje existem na ilha dois centros de triagem e coleta de lixo instalados nas praias de Encantadas e Fortaleza. Mas como a retirada do material depende de funcionários da Prefeitura de Paranaguá – responsável pela administração da Ilha do Mel – e das condições do tempo, muitas vezes há um acúmulo de lixo, o que favorece a proliferação de insetos e ratos, além da poluição do meio ambiente.

O funcionário do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Reginato Bueno, que poderia dar explicações sobre as questões que envolvem a Ilha do Mel, foi procurado durante toda a semana pela reportagem para falar sobre o assunto, mas não foi encontrado.

Ecológica

Mas o proprietário de uma pousada em Encantadas vem demonstrando que é possível reverter o problema do destino final do lixo na Ilha do Mel. Ele implantou um projeto que recicla quase que 100% do lixo gerado no local. Materiais como latas e papel são vendidos e representam uma renda a mais para os funcionários que trabalham na pousada. Já o material orgânico é transformado em adubo.

Gilberto Spinosa – advogado que mora há sete anos na Ilha do Mel – tritura em uma máquina restos de comida junto com folhas e galhos. O material fica 30 dias em uma caixa para ser transformado em compostagem. Em seguida, é transferido para um novo recipiente para virar composto orgânico, e voltam a ser triturado, e colocado em uma caixa com minhocas para a formação de húmus. Todo o adubo é empregado no jardim da pousada.

O projeto custou cerca de R$ 1 mil. Gilberto Spinosa conta que alguns moradores já se interessaram pelo processo. Ele enfatiza que a idéia poderia ser difundida para toda a ilha, e sugere que o próprio governo poderia intermediar a compra dos equipamentos. “Dessa forma reduziríamos muito o problema do destino do lixo na ilha”, finalizou o advogado. (Rosângela Oliveira)

Tarifa fica mais cara

Quem visita a Ilha do Mel hoje tem que desembolsar R$ 11,00. Desse total, R$ 8,00 são referentes ao transporte de barco, R$ 2,00 para a taxa de visitação e R$ 1,00 fica para a empresa que opera o terminal de embarque de passageiros. Mas até o fim do ano os valores deverão ser reajustados e acrescidos de mais uma taxa.

A Prefeitura de Pontal do Paraná, ao qual pertence o balneário de Pontal do Sul, local onde está instalado o terminal de passageiros, conseguiu aprovação na Câmara de Vereadores para cobrar R$ 1,00 dos passageiros que fizerem a travessia até a Ilha do Mel pelo terminal no município. O secretário de Meio Ambiente, Turismo e Esportes de Pontal, Jacson Bassfeld, justificou que essa cobrança será revertida para obras que a Prefeitura tem que fazer no município para atender tanto os turistas quanto os moradores da ilha. Entre elas estão, a recuperação e sinalização das ruas, construção de estacionamentos, melhorias no terminal de embarque e atendimento escolar e de saúde. (RO)