A Marcha das Vadias reuniu cerca de 300 pessoas, segundo estimativa da Guarda Municipal, na manhã de sábado (04), em protesto à violência contra a mulher. Com frases contra o machismo, racismo e homofobia em cartazes e estampadas nos próprios corpos, os participantes, incluindo homens e crianças, saíram da Praça 19 de Dezembro com destino final à Boca Maldita.

A Marcha, que já está na 5ª edição em Curitiba, tem como o objetivo “fazer a denúncia de que muitas mulheres ainda são subjugadas, violentadas e assassinadas somente por serem mulheres”, explicou uma das organizadoras, Jussara Cardoso. O evento, divulgado por meio da rede social Facebook, tinha mais de 2.500 confirmações.

Neste ano, o tema foi “Vadias Sabotando o Estado”. “Por causa do nosso Congresso conservador. Várias conquistas das mulheres estão sendo barradas, como, por exemplo, a questão das cotas femininas para as eleições”, comentou Jussara.

Apesar disso, Jussara avalia que, desde a primeira Marcha, as políticas públicas em favor das mulheres têm ganhado mais visibilidade. “As pessoas têm a ideia de que aumentou o número de violência contra a mulher, mas não é isso. Aumentou a visibilidade em relação às violências que as mulheres sofrem”, disse.

Nudez

Nem mesmo o frio – com termômetros marcando 13º C – impediu que manifestantes tirassem à roupa e ficassem com os seios à mostra para afirmar a igualdade de gêneros.

“Muita gente pergunta se isso não tem efeito contrário. Mas a atitude choca e mostra que temos direito sobre nossos corpos”, comentou a psicóloga Cléa Amara Andreoli, 58 anos.

Cléa contou que trabalha diariamente com mulheres que sofrem violência doméstica e disse que participa todos os anos da Marcha porque acredita que o evento possibilita a conscientização da sociedade. “Ele vem fazendo uma desconstrução dessa ideia de vitimização das mulheres”, disse.