Foto: Divulgação

Problemas do lixão só foram resolvidos após intervenção.

A cidade de Maringá está em busca de uma solução para as nove mil toneladas de lixo doméstico geradas todo mês. Uma tecnologia testada na cidade tem uma série de vantagens sobre os aterros sanitários. Os custos de operação devem ser os mesmos ou até menores. Não haverá produção de chorume ou gás. Além disso, o lixo orgânico, que responde por 65% do que é produzido, vai virar adubo, dando sobrevida de 20 anos ao aterro da cidade.

Até 2005, Maringá estava entre as cidades mais atrasadas quando o assunto era o tratamento de lixo. Durante 35 anos, o material foi depositado em um terreno, exposto a céu aberto. Além dos danos ambientais, também oferecia riscos para catadores de papel que dividiam todos os dias espaço com os urubus. Com a intervenção do Ministério Público, o lixão foi controlado. Os catadores formaram cooperativas e o lixo passou a ser enterrado. Mas o problema ambiental ainda não foi resolvido: o solo não é impermeabilizado.

A Prefeitura busca novas tecnologias para empregar na cidade e assinou um termo de cooperação técnica com o Consócio Biopuster, que emprega a técnica também chamada de biopuster na Europa. A iniciativa usa um processo biológico que trata os dejetos por meio da injeção de ar comprimido, rico em oxigênio, nos depósitos de resíduos, estimulando a ação das bactérias responsáveis pela decomposição.

O procurador do município, Rogel Martins Barbosa, explica que o processo será testado no terreno do aterro. O lixo será colocado em células com 8 metros de altura e serão aerados através de tubos. Em cada uma das 14 unidades que estão sendo construídas, serão depositadas 1,5 mil toneladas de resíduos e o tratamento todo termina em 30 dias.

Segundo Barbosa, 70% do lixo doméstico vai virar húmus e a outra parte seguirá para a reciclagem, já que durante o processo houve a descontaminação de materiais como o plástico. O restante, 30%, terá que ser encaminhado para um aterro. Mas esse material não produzirá chorume ou gás, como os aterros sanitários convencionais.

Segundo Barbosa, a expectativa é que a Prefeitura tenha que desembolsar o mesmo valor que gastaria com a construção de um aterro sanitário, sem, no entanto, ter os mesmos passivos. Ele calcula que até novembro a unidade entre em funcionamento e será testada até janeiro do ano que vem.

Se o projeto mostrar os resultados prometidos, será feita uma licitação para escolher a empresa que vai operar o sistema. Barbosa diz que a Prefeitura também tem a intenção de tratar o lixo que foi enterrado no aterro durante todos estes anos, o que dará uma sobrevida de 20 anos ao local.

O consórcio está investindo R$ 3 milhões e a Prefeitura está entrando com R$ 300 mil, empregados para a construção do piso de 10 mil metros quadrados, onde serão depositados os materiais. Barbosa explica que, depois deste prazo, a Prefeitura não terá nenhuma obrigação com a empresa. Ela terá como benefício a propaganda da tecnologia para o resto do País e da América Latina.