A praia artificial de Maringá deve sair do papel em 2023 e será pública, com acesso gratuito da população. É o que espera o prefeito do município, Ulisses Maia (PSD). Em uma entrevista à Gazeta do Povo, Maia deu mais informações sobre como surgiu a ideia, garantiu que nenhuma outra área da cidade ficará desassistida – como a Saúde, em meio à explosão de casos da variante ômicron da covid-19 – e explicou de onde virão os recursos necessários para custear a obra.

De onde surgiu a ideia de construir uma praia artificial em Maringá?

Nós já vínhamos discutindo essa ideia com a Secretaria de Esportes, a proposta de ter uma praia artificial. Eu fiz uma consulta pelas redes sociais para avaliar a opinião da população, e foi algo surpreendente a manifestação de apoio total das pessoas.

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O formato, o modelo desta praia, só vai ser definido conforme a escolha dos projetos. Mas nós já estamos recebendo diversos modelos de praias artificiais aqui do Brasil e também de fora do país. Vamos somar todas essas ideias, adaptar à nossa realidade, para chegar ao modelo da nossa praia.

Vai haver algum tipo de controle no acesso à praia artificial? Quem vai poder usar o local?

Nós vemos pela internet várias praias artificiais espalhadas pelo Brasil. Algumas são privadas, outras são públicas. Aqui nós vamos fazer a praia pública, aberta ao público, sem qualquer tipo de cobrança pelo acesso. A ideia é exatamente atender uma parcela da população que não tem oportunidade de lazer. Este é o foco principal. A manutenção e o funcionamento da praia vão, claro, depender da contratação de uma empresa especializada. Mas tudo isso com recursos da prefeitura.

O que já existe de concreto dentro deste projeto?

É algo novo, ainda não está com o planejamento completo. A primeira etapa da nossa força-tarefa – há uma equipe trabalhando nisso – é a definição da área. Temos alguns possíveis locais já identificados, mas não queremos revelar agora até para evitar qualquer tipo de especulação imobiliária. Se o local não for da prefeitura, será necessário fazer a desapropriação. A nossa equipe técnica está em campo, e nós queremos definir a área já nos próximos 45 dias. Queremos encerrar o mês de fevereiro já com esse espaço viabilizado.

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Escolhido o lugar, vamos partir para a etapa de contratação dos projetos. Como não temos o projeto em mãos ainda, precisamos licitar a empresa para fazer os projetos, não há como apontar uma data para a abertura da praia artificial. Eu gostaria muito de fechar 2022 com os projetos prontos, já com condições de licitar a execução, mas não sei se teremos tempo hábil.

Quanto esse projeto deve custar no total, desde uma possível desapropriação até a execução das obras?

Não sabemos ainda o preço final, mas também não vejo dificuldade em viabilizar o recurso. Não vamos tirar dinheiro de nenhuma área, vamos trabalhar sempre com o superávit que Maringá vem tendo. Vamos fechar o ano fiscal de 2021 com um superávit, só de recursos livres, de mais de R$ 100 milhões, fora todo o orçamento do Município. Este superávit já vem ocorrendo há quatro anos, é como se fosse uma poupança do Município.

Os recursos da cidade precisam ser investidos em várias áreas. Uma delas é o lazer. O que temos de concreto é isso, e a praia vai acontecer sim. Já está decidido, vamos fazer. Agora, se vai custar R$ 20 milhões, R$ 30 milhões, R$ 40 milhões, não tem como afirmar. Em Cariacica (ES) foi feita uma licitação recentemente para uma praia artificial, e o projeto prevê um custo de R$ 40 milhões. Pode não ser o mesmo valor do nosso projeto, até porque essa definição depende dos nossos projetos, mas temos pelo menos esta cifra como referência.

[A licitação aberta pela Prefeitura de Cariacica (ES) teve seu primeiro edital publicado em 28 de junho de 2021, com valor máximo de R$ 40,6 milhões. Mas, em 18 de novembro, o processo licitatório foi revogado pelo secretário municipal de Obras de Cariacica, Weverton Santos Moraes, antes mesmo da apresentação das propostas.]

Maringá está passando por um novo surto de covid-19, com picos de quase 800 novos casos confirmados por dia contra cerca de 50 no fim de 2021. A estrutura de Saúde de Maringá está preparada para esta nova onda da doença?

O cenário da Saúde não está tranquilo em nenhum lugar do mundo por conta desse volume expressivo de novos casos. São muitos novos casos positivos, mas estão sendo casos mais leves, que não estão precisando ocupar leitos de UTI. Isso claramente é um efeito da vacina. Nossa estrutura da Saúde tem hoje 12 UBS fazendo testes da Covid-19, estamos contratando agora 200 médicos, 120 enfermeiros. Estamos fazendo todo o possível para que Maringá siga garantindo o atendimento aos cidadãos como vem sendo feito desde o início da pandemia.

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Não faltou oxigênio, não faltou UTI, não faltou nada até agora. Temos também recursos viabilizados no orçamento para atender estas demandas da Saúde. Além disso, teve o superávit financeiro. A questão está totalmente sob controle. Não posso dizer que estamos tranquilos porque continuamos tendo todas as preocupações que havia desde 2020. Mas, na minha avaliação, a situação está sob controle e com orçamento previsto para fazer todos os atendimentos necessários. Temos muitas outras demandas importantes, nas quais o Município vai seguir trabalhando paralelo a esse projeto. Não vamos deixar de fazer nada, nenhum outro serviço vai ser prejudicado. A praia artificial vai correr em paralelo com todos os outros projetos da prefeitura.

Piscina pública de Maringá deve começar a ser construída em 2023. Foto: Freepik

Algumas cidades próximas a Maringá, na fronteira com o estado de São Paulo, contam com uma estrutura já consolidada de balneários nos rios Paraná e Paranapanema. Esta estrutura já não seria suficiente para atender a esta demanda?

Para quem tem recursos financeiros e pode viajar e ir para um balneário desses, um resort, um espaço particular, posso até entender que a nossa região já atende a esse público. Mas para a grande maioria da população, que não tem oportunidade de um filho, um neto, entrar em uma piscina, não. Essas pessoas também precisam ser atendidas pelo poder público. Isso não pode ser um privilégio só para alguns com condição financeira.

Muitas dessas pessoas, nesta época do ano, vão para a praia. Seja no litoral, seja nos rios, elas vão para a praia. Mas e a maioria da população que não tem essa mesma condição? Muitos outros não têm essa oportunidade. Pensando nessas pessoas, que não têm esse lazer, é que tivemos essa ideia. Lazer é qualidade de vida, na minha avaliação. É saúde. É melhor que as pessoas tenham essa opção de lazer e que possam ir para uma praia artificial do que elas irem parar no hospital. É um investimento importante e que vai atender uma grande parcela da população. A cidade é plural. São várias demandas, e uma delas é o lazer para as pessoas.

Os maringaenses brincam que na cidade só falta a praia. Então não vai mais faltar?

Começou a brincadeira neste sentido, porque nós temos o privilégio de morar em uma cidade que tem sido apontada uma das melhores do Brasil para se viver. Maringá tem uma situação privilegiada, é muito bonita, muito arborizada, foi planejada desde sua origem e segue sendo planejada até hoje. Só que é muito quente, e por isso é muito comum as pessoas daqui falarem que a cidade para ser perfeita só falta a praia. Então, agora vamos garantir a praia para Maringá, para que aqui possa ser esse lugar perfeito.