Busto: atração turística.

Hoje comemora-se o Dia de Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), considerado o grande mártir da independência do Brasil. Em diversas regiões do País, uma série de homenagens a ele serão realizadas. Sua história e principalmente seu enforcamento – ocorrido em 21 de abril de 1792 – serão lembrados não só por estudantes e historiadores, mas por quase toda a população.

Em Curitiba, a praça considerada o berço histórico da cidade recebeu o nome de Tiradentes. “A praça é o local onde tudo começou e até hoje é tida como um ponto de referência dentro da capital”, comenta a diretora de parques e praças da capital, Denise Pascoal. “Ela passa por trabalhos constantes de recuperação e é considerada ponto de parada obrigatória de turistas.”

Segundo a lenda, o local onde hoje se encontra a praça foi escolhido pelo cacique Tindiqüera, da tribo tingüi, para abrigo dos primeiros habitantes da cidade. No início, o lugar chamava-se Largo da Matriz. Posteriormente, em 1880, quando o imperador visitou Curitiba, foi chamado de Largo Dom Pedro II.

Em 1889, com o regime republicano, recebeu o nome atual: Praça Tiradentes. Nela, está o monolito histórico com a Cruz de Cristo, que simboliza o poder legalmente constituído pelo rei de Portugal, no dia 29 de março de 1693. Junto a ela, está o marco zero da cidade. A praça também abriga a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz de Curitiba.

Construída entre os anos de 1876 e 1893, em estilo neo-gótico, a catedral ocupa o mesmo local da antiga matriz construída em 1720. Ela abriga a imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira de Curitiba, e é Catedral Basílica Menor desde 1993, quando completou cem anos de existência.

Atualmente, ao lado da praça estão situados diversos pontos de ônibus (inclusive tubos de ligeirinho) e estabelecimentos comerciais. Recentemente, por ocasião de algumas obras, foram realizadas escavações e encontradas algumas ossadas. O fato confirmou que, há muito tempo, o lugar onde se encontra a praça também foi utilizado como cemitério.

Vida

Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, nasceu em 1746, na Fazenda do Pombal, em Minas Gerais. Ficou órfão aos 11 anos, foi mascate, pesquisador de minerais e médico prático. Porém se tornou conhecido por sua habilidade de arrancar e colocar novos dentes que ele mesmo fabricava. Na carreira militar, pertenceu ao Regimento de Dragões de Minas Gerais. Ficou no posto de alferes, comandando uma patrulha de ronda do mato que prendia foras-da-lei.

Em 1789, a população começou a pensar em se libertar do domínio português. Houve então, em Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais, uma conspiração com o fim de libertar o Brasil e proclamar a república, tendo como exemplo a independência dos Estados Unidos, que se libertou do domínio da Inglaterra em 1776.

Naquela época, a situação econômica da Capitania de Minas não era boa. As minas já não produziam muito ouro e a cobrança dos impostos (feita por Portugal) era cada vez mais alta. Revoltados, militares, escritores, poetas, magistrados e sacerdotes começaram a planejar uma rebelião. A idéia era proclamar uma república, com abolição imediata da escravatura e construção de uma universidade.

O movimento revolucionário, porém, não chegou a se realizar. Em março de 1789, o coronel Joaquim Silvério dos Reis, que se fingia amigo e companheiro dos inconfidentes (entre eles Tiradentes), traiu-os e denunciou-os ao governador da época. Nessa ocasião, Tiradentes estava no Rio de Janeiro e, ao perceber que estava sendo vigiado, procurou esconderijo em uma casa da Rua dos Latoeiros (atualmente Gonçalves Dias). No local, acabou sendo preso.

O processo durou três anos, sendo afinal lida a sentença dos prisioneiros conjurados. No dia seguinte, uma nova sentença modificou a anterior, mantendo a pena de morte apenas para Tiradentes, que foi enforcado a 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado e sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica.