Dois trechos da BR-116, na ligação entre Porto Alegre-Curitiba-São Paulo, apresentam média de acidentes superior a um por dia em 2007. A Serra do Cafezal (São Paulo) e a saída de Curitiba para Porto Alegre (Fazenda Rio Grande) já tiveram, respectivamente, 67 e 59 acidentes nos dois primeiros meses do ano. Em 2006, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o número de mortes nestes locais chegou a 56.

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) estimou que um acidente com vítima fatal custa R$ 282,2 mil. No estudo, o custo dos acidentes rodoviários foi estimado em R$ 22 bilhões por ano.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Paraná (Setcepar), Fernando Klein Nunes, além da perda de vidas, o grande número de acidentes tem causado prejuízos ao setor. ?A pista simples leva a atrasos nas viagens, principalmente quando a pista precisa ser fechada. Ainda temos a perda de cargas e dos veículos envolvidos, o que tem onerado o custo dos seguros?, afirmou. De acordo com o Setcepar, o principal problema desses trechos é a falta de pista dupla combinada ao fluxo intenso de veículos.

Segundo o chefe do Serviço de Infra-Estrutura do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), as obras de duplicação estão previstas nos contratos para concessão da rodovia à iniciativa privada, processo que se arrasta há cinco anos. ?Isso está nos atrapalhando. Fica nesse vai ou não vai que acaba prolongando a existência desses gargalos onde morrem muitas pessoas?, disse.

O cronograma para a concessão foi apresentado ontem, em Brasília. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, divulgou as novas datas. Audiências públicas vão discutir, entre maio e junho, as bases fixadas pelo governo federal, como o valor máximo da tarifa e a taxa de retorno oferecida aos concessionários. A publicação do edital está prevista para 16 de julho e o leilão para 16 de outubro.