Tornar obrigatório o exame psicológico e de conhecimentos acadêmicos para se obter o Certificado Regional de Medicina (CRM). Esta é a proposta que o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Região de São Paulo, Fausto Viterbo, quer discutir com a sociedade. Ele levantou a questão depois do aparecimentos de casos de profissionais da área envolvidos em crimes, como o do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, que assassinou uma mulher semana passada e do médico pediatra que abusava de crianças e adolescentes em seu consultório.

Viterbo acha importante que os futuros profissionais realizem uma prova para testar seus conhecimentos, já que podem colocar em risco a vida de outras pessoas. “Deveria ser como acontece na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que os acadêmicos realizam uma prova para obter o certificado”, fala. Outra idéia é a realização de uma avaliação psicológica, para selecionar e detectar os casos mais grosseiros, de pessoas que apresentam algum distúrbio. “A sociedade precisa debater o assunto”, diz.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Luiz Salim Emed, concorda. Diz que os conselhos regionais tem debatido a questão, mas ele não acredita na eficiência dos dois tipos de exames. Afirma que outros conselhos e até a OAB já tem experiência de que os exames acadêmicos não ajudaram a melhorar o desempenho dos profissionais. E nem o exame psicológico, no final do curso, daria conta de verificar se há algo de errado com o formando.

Para ele, estes procedimentos poderiam ser adotados durante o curso pela própria faculdade. A convivência seria um mecanismo eficiente para detectar o problema. Emed também criticou o fato de todo anos surgir novas universidade, já que estaria comprometendo a qualidade do ensino.