O apelo para que pelo menos metade do volume arrecadado com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) seja investido na área de saúde foi uma das tônicas do protesto desta quarta-feira (21) de médicos paranaenses, em frente ao Hospital de Clínicas, em Curitiba. "Se existem recursos para a Copa do Mundo e para o Pan-Americano, o dinheiro da saúde também tem de aparecer", disse o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo. "A Copa é maravilhosa, mas o povo está morrendo em macas.

Segundo ele, não houve uma orientação para que os médicos parassem hoje, para não prejudicar a população. Mas Macedo não descarta que uma paralisação possa ocorrer depois do carnaval, caso não haja alteração no repasse para o Sistema Único de Saúde (SUS). "Até quando o médico vai suportar trabalhar por 2 reais, como acontece no interior do Estado?", questionou. "A Organização Mundial da Saúde estabelece o atendimento de três pacientes por hora, mas, em um plantão de 12 horas, são atendidas mais de 100 pessoas", disse.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Gerson Zafalon Martins, dos cerca de 20 mil médicos do Estado, 60% têm vínculo com o serviço público. "Eles precisam dar um jeitinho, tornarem-se criativos para atender bem", salientou. "Mas poderia ser bem melhor se o trabalho da classe fosse reconhecido." De acordo com o CRM, quase 30% dos médicos trabalham, em média, em três lugares diferentes.