O medo de dirigir, denominado amaxofobia, atinge 6% da população brasileira habilitada. Seja por questões irracionais ou traumas gerados após acidentes, por exemplo, essa fobia tem cura.

Na manhã de ontem, um grupo de aproximadamente 50 pessoas se reuniu em Curitiba para tratar do assunto, no 3.º Encontro do Grupo de Apoio às Pessoas que Têm Medo de dirigir.

De acordo com a psicóloga especialista em trânsito e responsável pelo grupo, Salete Coelho Martins, do Psicotran, a abordagem feita para esse tratamento parte da terapia cognitiva comportamental.

“Trabalhamos com os pensamentos irracionais e na mudança de comportamento da pessoa que sofre com o medo de dirigir. Queremos mudar aquele pensamento, muitas vezes estabelecido ao longo da vida pela família da vítima, de que ela vai perder o amor das pessoas se fizer algo errado a elas no trânsito, por exemplo”, explica.

De acordo com Salete, durante um momento de pressão, tal como a falha na troca de marchas ou até mesmo quando o carro morre, as crenças e tabus se sobressaem, gerando assim o medo.

“Temos que fazer uma reconstrução cognitiva, readequando a pessoa à realidade”, diz. Sintomas como sudorese nas mãos, boca seca, coração acelerado e tremor ao dirigir identificam a amaxofobia.

Superação

Após permanecer 20 anos sem dirigir, Edilamar Gonçalves Kienteca conseguiu superar a amaxofobia em apenas dois meses de tratamento. “Com três anos de habilitação senti, de uma hora para outra, um pânico imenso apenas ao pegar na chave do carro. Tinha tremores, sudorese, falta de ar e até mesmo desmaios ao pensar em dirigir”, conta.

Durante todo esse tempo ela deixou o carro na garagem, mas chegou a tomar atitudes extremas para evitar cobranças alheias. “Com sol ou chuva eu só saía de casa de ônibus. Cheguei até a vender o carro para não ter que ouvir as pessoas me cobrando”, diz.

Porém, agora a situação é outra. “É uma superação maravilhosa. Resgatei os 20 anos que deixei de dirigir em apenas dois meses de tratamento”, ressalta. Assim como Edilamar, Nerci Aparecida dos Santos, que completa 70 anos de idade em 2010, afirma que está recuperando a vontade de dirigir.

“Tinha muito medo das motocicletas no trânsito, mas agora é diferente. Dirigir é hábito, quanto mais praticamos melhor ficamos”, diz. O medo de dirigir é um transtorno psicológico que acomete, em sua maioria, mulheres, entre 30 e 65 anos. Maiores informações sobre o grupo e o tratamento através do site www.psicotran.com.br ou pelo telefone (41)3319-4789.