Ainda que esteja longe de operar em Curitiba, o Uber já começou a provocar mudanças no sistema de transporte de passageiros da capital paranaense. Uma central de táxis criou uma modalidade premium, com carros do padrão executivo e motoristas bem treinados. Até o fim deste ano, a tarifa deste serviço custará o mesmo de um táxi convencional. Tudo para que os curitibanos não sintam necessidade de plataformas como o Uber. Por outro lado, taxistas colaboradores (aqueles que não detêm licenças) torcem para que o aplicativo chegue logo à cidade.

O serviço premium foi desenvolvido em setembro, pela radiotáxi Faixa Vermelha, como forma de se antecipar ao Uber. A modalidade se inspira no padrão executivo: os carros são descaracterizados e classificados como médio-superiores – um degrau abaixo dos alto-executivos, incluindo modelos como o Honda Civic, por exemplo. Todos dispõem de ar-condicionado e wi-fi, além de opcionais como água mineral e chocolates. Os taxistas, por sua vez, recebem treinamento específico e trajam roupas sociais.

“O Uber nos abriu os olhos para um serviço de que o cidadão necessitava. Nós saímos na frente. Hoje, o Uber não nos preocupa”, disse o presidente da radiotáxi, Edmílson dos Santos. Atualmente, 25 táxis da Faixa Vermelha pertencem ao premium e a projeção é de que até o fim do ano mais de 50 taxistas tenham migrado para esta modalidade. “Posso dizer que nossa aceitação [por parte dos passageiros] é de 100%”, completou Santos.

Mesmo quem pede um táxi convencional por meio da Faixa Vermelha pode ser surpreendido e receber um premium. Neste caso, uma atendente liga antes ao cliente, informando que a corrida será feita por um táxi no padrão executivo. Segundo a central, o serviço já fidelizou alguns passageiros, que ligam à procura do atendimento diferenciado. “É o preço do [táxi] convencional, com a qualidade do executivo”, disse o taxista Claudinei Santiago.

Há pouco mais de 20 dias, Santiago migrou para a nova modalidade. Passou a andar de terno e gravata – como manda o figurino – e passou por uma capacitação para se atentar a cuidados mínimos, desde abrir a porta para o cliente. O taxista já se entusiasma com a procura. “Aqui o Uber não tem vez”, garantiu.