O governador Roberto Requião lançou o
programa em Colombo: “Receptividade”.

Com o plantio de um milhão de mudas de árvores nativas nas margens dos rios, o Paraná comemorou ontem o Dia Mundial da Água. A ação aconteceu simultaneamente nos 399 municípios do Estado e foi coordenada pelas regionais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Rural do Paraná (Emater).

O lançamento oficial da campanha foi em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O governador do Estado, Roberto Requião, junto com autoridades locais e estaduais participou do plantio das mudas às margens do Rio Tumiri. Agricultores, estudantes e voluntários também fizeram parte da ação.

A mata ciliar é a vegetação localizada às margens dos rios, córregos e nascentes de represas. Ela é um obstáculo natural contra o assoreamento, evitando a erosão das margens para que a terra não caia dentro dos rios, tornando-os barrentos e dificultando a entrada de luz solar. Evitar as enchentes, o despejo de lixo e esgoto e dos agrotóxicos também são funções importantes das matas ciliares.

De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em diversos rios do Estado, a qualidade da água estava sendo afetada pela ocupação desordenada das terras, pelos resíduos industriais, uso de fertilizantes, desmatamento e falta de tratamento de esgoto, que aconteceram nos últimos anos. Com o lançamento do programa, o governo do Estado espera resgatar a qualidade da água em todas as cidades. “O programa é espetacular. Usamos essa data e aproveitamos para conscientizar os paranaenses com relação a esse problema”, exalta o secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida.

Esse mutirão estadual foi o maior plantio de mudas da história realizado em apenas um dia. Dados do livro dos recordes – Guinness Book – tinham registrado o recorde anterior em Guaratinguetá, São Paulo, com o plantio de 24.159 árvores.

Fraternidade

Para o governador do Estado, a ação foi beneficiada pelo tema da Campanha da Fraternidade deste ano, realizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que é “Água, fonte de vida”. “Foi por acaso, pois tínhamos planejado esse programa em novembro. Quando soubemos da campanha da fraternidade, vimos que o assunto está em pauta e se tornou essencial à divulgação da importância dessa preservação”, diz Roberto Requião. “Mais do que o recorde, estamos animados com a receptividade de todos os paranaenses nessa campanha. Inclusive dos agricultores, que lidam diariamente com os locais próximos às margens de rios”, completa.

Tratamento no Estado é exemplo

O Paraná conta com 84% de cobertura de água tratada em todo o território, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A marca supera o índice nacional, que está em 77%, e o da região Sul, que é de 80%. Para dar sustentação à esta qualidade, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mantém dois programas de atenção à água no Paraná.

O primeiro é o Programa Estadual de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano. O objetivo é coletar amostras de águas por meio de equipes da Vigilância Sanitária e realizar testes para observar a qualidade da água que está sendo consumida pela população. As equipes também atuam em pontos de risco, ou seja, locais onde ocorreram surtos que possam ter sido causados pela água, apontando a falha apresentada e rapidamente propondo soluções para que seja resolvido o problema.

No ano passado foram capacitados técnicos de todas as 22 regionais de saúde para que eles possam analisar com precisão a qualidade da água, seja ela distribuída pela Sanepar, pelos municípios ou em poço artesianos. Neste ano esses técnicos realizarão treinamentos nos municípios para que cada cidade também possa atuar neste projeto. “Estamos projetando atenção em todas as áreas da saúde, para que a população fique tranqüila e em hipótese alguma adoeça por falta de cuidados”, disse o secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier.

Menos mortes

Outro ponto que gera expectativa é a descentralização do programa, aumentando a sua área de cobertura. Está em andamento um projeto para descentralizar a realização de exames que hoje é feita no Laboratório Central do Paraná e seria efetivada já nas regionais, com a compra de equipamentos para instalação de laboratórios para análises.

“A melhoria nas condições da água vem crescendo desde a década de 70, queremos ampliar ainda mais esse processo”, afirmou o chefe da Divisão de Ações sobre o Meio, Celso Rúbio. Esse crescimento fica claro ao analisar os dados que apontam a diminuição no número de óbitos relacionados a doenças que podem ser transmitidas pela água, como amebíases e cólera. Em 1996, o número de mortes foi de 515 e, em 2003, esse total não ultrapassou 240 óbitos. Já a diarréia e a gastroenterite, que em 1996 mataram 446 pessoas, no ano passado levou a óbito 176 pacientes.

Rede de esgoto no Sul continua precária

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem as conclusões da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada em 2000. O estudo revela, em mapas, a distribuição das redes de saneamento do País e, pela primeira vez, interpreta os dados a partir das bacias hidrográficas. Segundo o levantamento, há enorme desigualdade entre o Sudeste e as regiões Norte e Nordeste quando o assunto é tratamento de esgoto.

Rio – De acordo com o Atlas do Saneamento, a rede de esgotamento sanitário está concentrada no Sudeste e nas áreas mais urbanizadas das demais regiões. Nas bacias costeiras do Sudeste, 95% dos municípios coletam esgoto. Já nas bacias hidrográficas dos rios São Francisco e da Prata, o percentual é de 63%. A situação piora nas bacias costeiras do Nordeste oriental (57%) e do Sul (49%). As demais (bacias hidrográficas dos rios Amazonas, Tocantins e Parnaíba e as dos Nordeste ocidental) apresentam valores iguais ou inferiores a 20%. A situação é mais grave quando se considera que, nas grandes bacias hidrográficas, menos de 50% do esgoto coletado recebe tratamento.

A análise por bacia hidrográfica permite avaliar, de forma integrada, o impacto das ações humanas sobre o ambiente e seus desdobramentos sobre a qualidade dos mananciais. Um dos principais agentes poluidores dos mananciais é o esgoto sanitário, mas algumas bacias hidrográficas apresentam poluição na captação superficial de água relacionada com as atividades econômicas em destaque nos respectivos territórios.

Na bacia amazônica, por exemplo, a atividade mineradora é importante fonte poluidora, mas os mananciais também são afetados pela precariedade da rede de esgotamento sanitário na região, onde apenas 7% dos distritos-sede de municípios coletam e tratam o esgoto. Já nas sub-bacias hidrográficas dos rios Tocantins e Araguaia, no centro do País, e em boa parte das bacias costeiras do Nordeste oriental, destacam-se os resíduos agrotóxicos como principais fontes de poluição, enquanto nas bacias costeiras do Sul e do Sudeste os despejos industriais têm maior participação relativa, ainda que a principal fonte poluidora das bacias do Sudeste seja o esgoto sanitário.

Lixo não tem destinação correta

Rio – Apenas 47% dos 5.507 municípios brasileiros possuem os quatro serviços básicos de saneamento: abastecimento de água, coleta de esgoto, drenagem urbana e coleta de lixo – este último é o que tem maior abrangência no País. Em 2000, como mostra o Atlas do Saneamento divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), eram coletadas 125 mil toneladas de lixo domiciliar no Brasil, uma quantidade expressiva.

O problema é a destinação final do lixo, pois foi contatado que cerca de 63% dos municípios utilizam os lixões, considerada uma forma descontrolada de disposição dos resíduos sólidos em terreno, sem cuidados com a proteção ambiental e a saúde pública. Outro grave problema apontado é o destino do lixo hospitalar, pois, em 2000, apenas 9,5% dos municípios encaminhava os resíduos dos serviços de saúde para aterros especiais.

A publicação mostra que a limpeza urbana tem uma capacidade enorme de geração de empregos. Em 2000, 317 mil 744 pessoas trabalhavam nos serviços para as prefeituras ou terceirizados. Isto sem contar os 24 mil 340 catadores que atuavam nos lixões e que também sobreviviam dessa atividade.

Desperdício

Segundo o IBGE, até 40% da água distribuída pelas redes de abastecimento no Brasil é desperdiçada, por vazamentos ou ligações clandestinas. A pesquisa mostra a desigualdade existente no País quanto ao aproveitamento dos recursos hídricos e o acesso a redes de esgoto. Em 1989, 3,9% da água distribuída não era tratada; em 2000, o volume aumentou para 7,2%. Um terço dos municípios com menos de 20 mil habitantes não recebe água tratada. Do censo de 1989 para o de 2000, o índice de municípios que têm serviço de esgoto aumentou pouco: de 47,3% para 52,2%. No mesmo período, o Brasil aumentou em 24% o número de municípios, mas a rede de esgoto só cresceu 10%.