A água é o palco onde as meninas apresentam suas coreografias, formada por saltos e movimentos que exigem muito fôlego e precisão. Com o nado sincronizado, as atletas da equipe da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) estão dando um baile nas outras competidoras e trazendo para Curitiba uma série de medalhas e títulos na modalidade.

A equipe da UTFPR é composta por 20 atletas, que têm de nove até 22 anos. Em 11 anos de existência do grupo foram cerca de 40 títulos conquistados, somando todos os níveis e competições. Em agosto deste ano, a equipe foi a grande campeã do IX Campeonato Brasileiro de Categorias, em Maceió. As integrantes da UTFPR levaram 12 medalhas: cinco de ouro e cinco de prata – em 15 provas que participaram.

Mas, para chegar às vitórias, a rotina das atletas é puxada. A treinadora da equipe, Josiette Dall’Acqua, conta que os treinos acontecem de segunda a sexta-feira, das 14h até as 17h30. “E quando estamos perto das competições treinamos aos sábados também”, afirma.

O pré-requisito do nado sincronizado, segundo Josiette, é não ter medo de água. “Não precisa saber nada, mas precisa ter confiança no meio. Muitas meninas chegam com medo de mergulhar e pôr a cabeça dentro da água e isso complica, porque ali vão ter que ficar de ponta cabeça”, diz. A flexibilidade, conhecimento do corpo e ouvido musical também precisam ser desenvolvidos para a prática da modalidade. “Meninas que já praticaram esportes como ginástica rítmica e ginástica artística têm maior facilidade”, ressalta a treinadora.

Marco André Lima
Rotina puxada das atletas. Treinamento de segunda a sexta. Veja na galeria de fotos as meninas.

Em família

Josiette começou a nadar aos 11 anos e era professora de natação quando foi convidada pelo antigo chefe a fazer curso de nado sincronizado em Porto Alegre. Desde então, se encantou pela prática e contagiou a filha, Flávia Liz Dall’Acqua, atleta e coreógrafa da equipe da UTFPR. “A equipe evoluiu bastante por causa disso. No último campeonato ganhamos elogios por causa das coreografias”, revela a treinadora.

A inspiração para montar as coreografias, segundo Flávia, vem de estilos de dança que ela já praticou, como balé, sapateado e hip hop. “Eu conheço cada uma das meninas, as características de cada uma delas; então conheço o que ela gosta e o que sabe, e tento colocar na coreografia aquilo que ela se sente confortável para fazer”, explica.

Histórias de superação

Marco André Lima
Desafio: ficar debaixo d’água sem encostar no chão. Veja na galeria de fotos as meninas.

Há três anos Mayra Rayane Lovato, 15, entrou para a equipe da UTFPR. Ela conta que já fazia ginástica olímpica desde os cinco anos. Como a mãe, os irm&ati,lde;os e os avós praticavam natação, se interessou pelo nado sincronizado. Para ela, a maior dificuldade foi conseguir ficar bastante tempo debaixo d’água. O nado sincronizado despertou o interesse dos colegas da escola de Mayra. “Eles perguntam como a gente consegue ficar debaixo de água sem encostar no chão, mas eu não sei explicar”, diz.

As atletas Rafaela Preiss e Marcelly Karam, ambas de 19 anos, já perderam as contas de quantas medalhas ganharam. Rafaela conta que o que a motivou a praticar o nado sincronizado foram as coreografias aliadas à música. Para Marcelly, que cursa engenharia mecânica, uma das maiores dificuldades é conciliar o esporte com os estudos.

Marco André Lima
Rafaela e Marcellly já perderam as contas de quantos prêmios ganharam. Veja na galeria de fotos as meninas.

Emoção

Na última competição, Liz Tortola, 10, conquistou duas medalhas de ouro. Ela começou a praticar o nado sincronizado neste ano e revela que ficou emocionada ao ganhar as medalhas. Memorizar a coreografia nas competições é o mais complicado da modalidade, segundo a atleta. “Na hora de apresentar tem que lembrar tudo, e a gente fica nervosa”, finaliza.

Veja na galeria de fotos as meninas.