Carrinheiros recicladores querem fundar associação.

Matinhos – A reciclagem é um segmento que garante a sobrevivência de muitas pessoas no litoral do Estado, principalmente na alta temporada. Devido ao grande número de veranistas nas praias, cresce a quantidade de dejetos, muitos deles recicláveis como papel, papelão, vidro, plástico e latas de alumínio.

Conversando com as pessoas que estão envolvidas com reciclagem, a reportagem de O Estado descobriu uma curiosidade sobre a comercialização das latinhas de alumínio: seu preço varia conforme a cotação do dólar. José Dirceu Stochero e sua esposa Simone Liz de Campos têm um depósito de reciclagem há cinco anos. Tudo que eles compram, revendem para Curitiba semanalmente. “Mandamos entre 1,3 e 1,4 tonelada por semana de latinhas”, contou Stochero, destacando que o que mais lhe entregam é o plástico. “Esse é um material dividido por qualidade, as garrafas pet valem R$ 0,30 o quilo. Outros tipos de plástico são mais baratos”, revelou, lembrando que paga R$ 2,80 por quilo de lata de alumínio. “Já cheguei a pagar R$ 3,10. Tudo vai do preço do dólar. Meu lucro normalmente é de R$ 0,30”, disse.

Stochero contou que tem dezoito carrinhos cadastrados na Prefeitura de Matinhos. Eles são todos padronizados e possuem uma placa com um número de identificação. “Assim, se o carrinheiro jogar lixo no chão, rasgar sacos de plástico para catar as latas, ou fizer baderna na rua, qualquer pessoa pode ligar para a Prefeitura e o identificar”, contou. Além dos carrinheiros cadastrados, o depósito de Stochero também compra material de outros carrinheiros. “Não ficarei rico, mas ao menos poderei ter um pouco de conforto e dar um estudo melhor para os filhos”, revelou o ex-pedreiro.

O dono do depósito salientou ainda que o trabalho de reciclagem contribui diretamente para a limpeza da cidade. “O plástico, por exemplo, leva 200 anos para se decompor na água e pouco mais de cem anos na terra”, explicou.

Na temporada

Isolete Pinheiro e sua filha Solange, moradores na Vila Nova, em Matinhos, recebem pensões do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), mas há três anos aproveitam os dois primeiros meses do ano para ter uma renda extra com as latinhas. “Nós recolhemos apenas de um restaurante aqui em Caiobá. É possível acumular uns trinta quilos numa semana”, revelou Isolete. Ela contou que sua filha é cadastrada na Prefeitura, mas que carrinheiros de fora acabam fazendo bagunça e denegrindo a imagem dos outros. “Estamos pensando em criar uma associação para combater isso. Somos cerca de 400 pessoas cadastradas”, explicou, lembrando que na baixa temporada a quantidade de lixo reciclável diminui muito. “Em certas horas, não tem nada para fazer. Se não tivesse a aposentadoria não sei como seria”, concluiu.