No último dia 28 de outubro, quando as temperaturas de Curitiba e Região Metropolitana chegavam aos 30 graus, o jovem Rafael Rocha Ferreira, de 15 anos, teve a vida interrompida ao tentar se divertir com amigos em uma das cavas do município de Piraquara. Ele se afogou no início da tarde e o Corpo de Bombeiros, através do Grupo de Operações de Salvamento Tático (Gost), só encontrou o corpo por volta das 17h30. No dia 10 de novembro, foi a vez de um garoto de 12 anos perder a vida no mesmo local. Ele foi a 56ª vítima de afogamento nas cavas da Grande Curitiba em 2011. Essas histórias se repetem há anos. Só em 2010, morreram 115 pessoas afogadas nas cavas e rios de Curitiba e RMC, e até o final do próximo verão, esse número deve ser ultrapassado.

Diante esses números, o Corpo de Bombeiros já começa os trabalhos de prevenção e preparação para o verão, época em que as cavas de toda a grande Curitiba ficam lotadas. Para esta temporada, o Corpo de Bombeiros, em parceria com as prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba, vai realizar uma campanha de orientação, alertando a população que é proibido nadar nas cavas e também ressaltando o perigo de nadar nessas localidades. “Como não temos efetivo suficiente para estar em todas as cavas, vamos realizar essa campanha através dos veículos de comunicação para tentar alertar as pessoas”, afirma o Major Maurício Aliski.

O banho em cavas e rios é proibido e por esta razão não a há a presença de equipes de guarda-vidas nos locais. Além disso, as cavas normalmente têm difícil acesso, por isso a recomendação do Corpo de Bombeiros é de evitar esses locais já que quando há uma ocorrência, o socorro demora pra chegar. “São locais distantes e quase não há a chance de chegarmos a tempo de realizar o resgate e em casos de afogamento cada minuto é preciso. Por isso, orientamos a não tomar banho nesses locais”, diz Aliski.

Vítimas

Segundo um levantamento realizado pelo Gost, as vítimas de afogamentos nas cavas são normalmente homens na faixa etária entre 15 e 30 anos que normalmente moram próximo ao local. “Geralmente as pessoas com esses perfil estão no auge de sua forma física, são jovens, e isso os encoraja a ir mais para o fundo, onde não dá pé. O excesso de confiança é o problema”, revela o major.