Embora possuam uma estimativa populacional semelhante, com mais de 11 milhões de habitantes, Paraná e Rio Grande do Sul andam em ritmos diferentes na campanha de vacinação contra a Covid-19. Números levantados pela Gazeta do Povo sobre a imunização nos dois estados da região Sul mostram diferenças não apenas na velocidade de aplicação das doses que são enviadas pelo Ministério da Saúde, mas também na quantidade de vacinas destinadas a cada local.

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Na relação entre doses recebidas e aplicadas, o Rio Grande do Sul – que em rankings nacionais tem se destacado na comparação com os demais estados brasileiros – sai na frente do Paraná. Até a tarde desta segunda-feira (31), Rio Grande do Sul tinha recebido 6.369.680 doses e aplicado 4.601.450 doses, ou seja, 72% das vacinas disponíveis foram utilizadas. O desempenho do Paraná na relação doses recebidas/doses aplicadas fica em 66%, considerando 5.295.190 vacinas recebidas e 3.498.434 aplicadas. Nos dois casos, os números levam em consideração as vacinas destinadas à primeira dose e à segunda dose.

Na quantidade de doses recebidas até aqui e o que isso representa dentro da estimativa populacional do grupo prioritário, o Rio Grande do Sul também se sai melhor. Considerando que o Rio Grande do Sul possui um grupo prioritário de 5.255.631 pessoas e, portanto, uma necessidade de 10.511.262 doses para completar o ciclo de imunização (duas doses por pessoa), as 6.369.680 vacinas recebidas até aqui pelo estado representam 60,59% da quantidade total desejada.

Já o Paraná registra pouco mais de 50% na relação doses necessárias/doses recebidas. Com um grupo prioritário estimado em 4.906.706, e uma demanda então de 9.813.412 doses para completar o ciclo de imunização, as 5.295.190 vacinas recebidas até aqui pelos paranaenses representam 53,95%.

A reportagem procurou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira (31) para questionar a pasta sobre os motivos de o Paraná receber, proporcionalmente, menos doses. O Ministério respondeu que tem levado em consideração as informações encaminhadas pelas próprias administrações estaduais e municipais para definição do número de vacinas. De modo geral, a pasta explica apenas que, embora tenha a estimativa dos grupos prioritários, a quantidade de vacinas em cada remessa semanal também atende a particularidades e estratégias locais.

Sem entrar em detalhes, o governo do Paraná disse à reportagem que já “viabilizou a readequação populacional da estimativa do Ministério da Saúde sobre o número de pessoas por grupo prioritário, visto que a informação em que o Governo Federal se baseou é do censo 2010”.

Em relação ao ritmo da vacinação, e a comparação feita com Rio Grande do Sul, o governo paranaense lembrou de esforços para aumentar a velocidade da aplicação: “O Governo do Estado lançou duas campanhas para ampliação de vacinação (“de domingo a domingo” e “corujão da vacinação”), possibilitando acesso a vacina em horários estendidos e aos finais de semana. O Estado também viabiliza o envio das vacinas em média até 24h após o recebimento, seja por transporte aéreo ou terrestre, para que as equipes municipais tenham acesso ao imunizante logo que chegam ao Paraná”.