Informal, porém providencial. Hoje é o Dia do Orgasmo, criado por redes de sex shops inglesas, e tal qual a data comemorativa, o assunto suscita dúvidas e não é conhecido por todos. Estudos revelam que 50% das brasileiras não conseguem chegar ao clímax. A estimativa se confirma na rotina dos consultórios e inclui número significativo de pacientes homens que simulam ter o orgasmo, fazendo uso, por exemplo, do preservativo para disfarçar.

O tema deixou de ficar entre quatros paredes e ganhou importância tanto comercial, com a crescente rede de produtos e serviços vinculados à busca do prazer, quanto corporativa, porque as grandes organizações já observam a influência da chamada satisfação plena de cada indivíduo com seus resultados.

“Nos últimos três anos, as empresas passaram a pedir temas voltados à sensualidade e sexualidade dos seus funcionários, por perceberem o impacto disso no desempenho do negócio”, confirma a educadora sexual e palestrante motivacional Andreia Berté, que há 12 anos ministra cursos e workshops empresariais sobre autoestima e sensualidade. A abordagem enfoca a melhora da relação com o parceiro, com o devido cuidado para não incentivar relações entre funcionários.

Como uma gueixa

Para não perder o parceiro e muito menos o emprego, Andreia orienta que homens e mulheres devem tratar essa busca como uma “viagem de aventura, em que o corpo é um parque de diversões”. Segundo ela, o Kama Sutra e toda a sabedoria oriental ainda são as bases de quem busca o êxtase. “Mais do que posições sexuais, o Kama Sutra ensina como vivenciar a sexualidade, que é sagrada para os orientais e se dá muito antes do ato acontecer, pois o grande órgão sexual é o cérebro”.

Foi com as gueixas que estes ensinamentos foram melhor utilizados. “Se inspirar nelas é um caminho para o casal. A servidão que muitos erroneamente interpretam indica a necessidade de doação mútua. Entre quatro paredes, as gueixas dão e recebem prazer e uma das maneiras de satisfazer o parceiro é enlouquecer com ele”, ensina.

Produto erótico sem crise

O setor de produtos eróticos cresceu em média 20% ano desde 2003 e segue sem crise. Segundo o distribuidor da Hot Flowers na região Sul, Lúcio Bongiolo Berti, essa resposta do mercado se deve à quebra de tabu que vem sendo feita pelas empresas. “Os produtos eróticos chegaram ao Brasil com a conotação pornográfica e ficaram estigmatizados. Aos poucos, os brasileiros estão percebendo que a finalidade de cosméticos e acessórios é apimentar a relação e melhorar a intimidade”, aponta.

Tanto ele quanto a educadora sexual Andreia Berté indicam o beijo apaixonado como o caminho para se atingir o orgasmo. “Além de resgatar o romantismo, a porção central do lábio superior está ligada à estimulação dos grandes e pequenos lábios da vagina e do pênis e testículos”, informa.

Busca

De acordo com Andreia, mulheres com dúvidas se já tiveram orgasmo, na verdade, não tiveram. “A sensação é completamente diferente, mas é possível, basta buscar isso, uma vez que há quatro tipos de orgasmo: vaginal, anal, clitoriano e do Ponto G”. Ela diz que calar as vozes de uma educação repressora, fazer exercícios para o fortalecimento da musculatura pélvica (pompoarismo, pilates e danças que movimentam os quadris), masturbar-se e se dedicar à relação e ao diálogo com o parceiro são ferramentas poderosas para desfrutar de relação cada vez mais prazeirosa. “O foco nem pode ser o orgasmo, mas em vivenciar a relação dentro de um tempo que os dois consigam sentir prazer e se sentirem amados”.

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Beijo apaixonado é o começo de tudo.