Apenas de 10% a 15% dos dependentes químicos que procuram ajuda na comunidade terapêutica acabam totalmente livres do vício. Essa é uma das constatações das pessoas envolvidas no trabalho na Casa de Recuperação Água da Vida (Cravi), que possui três unidades de atendimento: uma no bairro Santa Cândida, em Curitiba, outra em Almirante Tamandaré, na região metropolitana, e a última em Curitibanos, em Santa Catarina. A ONG completou 11 anos de orientação aos dependentes químicos em junho deste ano.

A Cravi atende cerca de 100 pessoas. A maior parte delas, explica o coordenador do local, Flávio Lemos, sofre com a dependência do crack. “É uma droga barata, de devastação rápida, e que traz um grande prejuízo social”, define ele.

Segundo Lemos, é muito grande o número de pessoas que não tem paciência de seguir o tratamento tanto quanto for necessário, e por isso acabam saindo da comunidade e voltando ao domínio das drogas.

“Consideramos livres dos entorpecentes quem consegue ficar no mínimo três anos na abstinência. Mas esses 10% que recuperamos já é bastante para nós, ficamos felizes com isso. Mas grande maioria tem muita dificuldade, acreditam que vão conseguir manter a relação com a droga sem se prejudicar. Quem para chegou no fundo do poço”, comentou.

Serviço

A ONG Cravi vive com a ajuda financeira dos dependentes químicos que têm condições e também recebe investimento social de algumas empresas. Quem pode pagar mais compensa aqueles que pagam menos. O telefone da Cravi é (41) 3356-6100. O site é www.cravi.org.br.