Mesmo em um bairro de classe média, como o Água Verde, os moradores sofrem com insegurança e vandalismo. Nem os mortos, que repousam em um dos principais cemitérios da cidade, são respeitados por ali. Mas há também gente que faz tudo para melhorar a vizinhança, como o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) Água Verde, Paulo Roberto Goldbaum Santos.

Quando Paulo abriu a escola de inglês na Rua Samuel César deparou-se com a realidade do entorno do Cemitério Municipal do Água Verde. “Não tinha asfalto na rua, não tinha calçada nem meio-fio. O muro estava cheio de pichações. Além disso, as caçambas de lixo eram deixadas sobre a grama e juntava barata, rato”, conta. O número de assaltos e roubos também era alto, por conta da falta de iluminação.

“Comprei mudas de hera e plantei no muro do cemitério com a ajuda de um vizinho, para combater as pichações”, diz Paulo. Aproveitando a campanha de reflorestamento de um banco, pegou 44 mudas de árvores e plantou no bairro. Para resolver os outros problemas da rua, correu atrás da prefeitura. “Primeiro consegui que fizessem o meio-fio, depois as calçadas e o asfalto. Por último, colocaram as caçambas de lixo para dentro do cemitério”.

Quando a rede de supermercados Condor instalou uma loja na região, a comunidade também foi beneficiada com algumas medidas. “Instalaram seis câmeras de segurança em volta do cemitério e trocaram todas as lâmpadas por outras mais potentes”, afirma. Segundo ele, houve redução de quase 18% no número de assaltos e 25% de roubos. “Como cidadão, quero que o ambiente onde moro e trabalho tenha mais qualidade e segurança”.

Conseg

Marco André Lima
Paulo diz que tem feito tudo pelas causas do bairro.

O engajamento de Paulo com as causas do Água Verde o motivou a fazer parte do Conseg. Como presidente do conselho, diz que tem feito “o possível e o impossível” para lutar pelas causas do bairro e estimular os moradores a se envolverem também. “Procuramos agir sempre que há demanda da comunidade, e não medimos esforços”, destaca.

Coleta de óleo de cozinha

O Conseg do Água Verde iniciou neste ano o trabalho de coleta de óleo de cozinha. Por enquanto, 10 contêineres foram instalados para recolher o material nos condomínios do bairro. Um dos locais foi o condomínio onde José Batista de Franco é subsíndico. Ele conta que a falta de separação de lixo já causou até acidentes com o zelador. Por isso, os moradores receberam panfletos e orientações para separar o óleo e evitar a contaminação de esgotos e rios. “Foi muito bem aceito, cerca de 95% dos moradores estão usando. O contêiner encheu rapidinho”, diz José. Ó óleo de cozinha recolhido é vendido para uma fundação em Carambeí, que transforma o material em ração animal. A cada litro o Conseg recebe R$ 0,40 e, com a verba obtida, serão feitas cartilhas de orientação aos moradores.