A promessa era que neste mês os moradores da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e do Campo Comprido inaugurariam dois parques lineares no entorno do rio Barigui. Mas, por enquanto, as obras ainda trazem só dor de cabeça e preocupação: as comunidades ainda não sabem se os projetos vão atender às suas necessidades.

Os parques lineares têm como objetivo, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Lima, proteger o rio, para evitar a contaminação e enchentes, através da criação de área de conservação ambiental que se torna também área de lazer para a população.

Na Vila Barigui, na CIC, as obras do parque linear começaram há cerca de um ano e ainda parecem longe da conclusão. O projeto prevê instalação de ciclovias, parquinhos infantis, minicanchas de futebol e cancha de vôlei. Por enquanto, a rua continua em pedras, aguardando o asfaltamento, e as margens do rio cheias de terra. O vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos do CIC, Antonio Carlos da Silva, está indignado com o andamento do projeto. “Não queremos só boniteza, queremos que fique um negócio bem feito para nós”, afirma.

Sem consulta

Antonio acredita que as obras no rio não vão solucionar o problema dos moradores. “Fizeram tudo muito malfeito. Começaram no lugar errado e deviam ter afundado o rio”, comenta. O temor dele é que, como não dragaram o rio e alargaram suas margens, no caso de cheia aumente o risco de inundação. Antonio conta que há quase dois meses a enchente atingiu a vila. “O projeto está mal organizado. Além disso, os moradores não foram consultados em nenhum momento”, ressalta. Um ponto positivo apontado por Antonio sobre o início do parque é que as pessoas já deixaram de jogar lixo no rio.

Moradora da Vila Barigui há 35 anos, Maria Benedito Ribeiro diz que as obras estão causando transtornos. “Quando chove, faz barro. Quando dá sol, poeira. Não dá nem para pôr roupa no varal”, relata. Como na região existe creche, escola e unidade de saúde, ela também relata outras dificuldades. “As mães têm que passar com carrinho nessas pedras e é perigoso. Esses dias um velhinho caiu com a bicicleta aqui”, conta. Para Joanice Fedris Bertasse, a obra não vai ser entregue do jeito que foi prometido. “O espaço que deixaram para academia e cancha é muito pequeno. Fica perigoso para as crianças, que se pisarem ali perto vão cair no rio”, considera.

Melhor no Campo Comprido

Ciciro Back
Início do serviço evita alagamentos na Rua Natalio Scuciato.

Já no Campo Comprido, na Rua Natalio Scuciato, os moradores estão mais satisfeitos com o início das obras. “Agora ficou bom, quando chove não está enchendo mais”, afirma a comerciante Rosângela Leal. O auxiliar de produção Felipe de Andrade conta que antes a água ficava a dois dedos de sua casa e encontrava ratos por ali. “Melhorou bastante”, reconhece. “Vai ser bom porque vai motivar o pessoal a fazer esportes. Hoje as pessoas têm que andar cinco, seis quilômetros, para ir até o parque”. O comerciante Altair Ribeiro reclama que a obra em um dos lados do rio foi mais bem feita que no outro. “Deixaram entulhos e o mato alto”, critica.

Previsão é pra fevereiro

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Renato Lima, as obras no CIC e Campo Comprido fazem parte dos parques lineares do Guairacá e Ananaí, que por sua vez compõem o proje,to Viva Barigui, desenvolvido em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento. A previsão, segundo ele, é que as obras sejam concluídas até fevereiro do ano que vem. Sobre a preocupação dos moradores da Vila Barigui, o secretário afirma que ali é a planície do rio, e dependendo da quantidade e da velocidade da chuva existe o risco de inundação. “O objetivo do conjunto de obras é reduzir a possibilidade de inundação”, destaca.