Pouco mais de seis meses após a instalação da Unidade Paraná Seguro (UPS), o bairro do Parolin vive um clima de tranquilidade. Pelo menos é essa opinião dos moradores da região, que aprovam a presença da força policial no local. No início de maio deste ano, uma força-tarefa de aproximadamente 300 policiais militares, civis e guardas municipais ocupou o Parolin.

Números do Mapa da Violência da Tribuna comprovam o sentimento da população: enquanto em 2010 foram registrados 30 homicídios no bairro, ano passado foram 11 e, neste ano, de janeiro a abril, 8. Após a chegada da UPS, em maio, ocorreram duas mortes na região.

Dona Maria Aparecida de Paula, 60 anos, mora na região há quase cinco décadas. Ela conta que nos últimos 15 anos o Parolin tinha se transformado numa terra sem lei.

“Eu me criei aqui e vi esse lugar se transformar. Antes isso aqui era tranquilo, mas nos últimos anos virou um verdadeiro horror, com a molecada se envolvendo com coisa ruim e vivendo na rua aprendendo besteira”, conta.

Segundo ela, a UPS deixou a região mais tranquila nos últimos meses. “Comigo, nunca nada acontece, mas a gente sabe o que se passa no bairro todo e ouvia histórias assustadoras. Mas agora tá tranquilo, graças a Deus. A vila está mais segura com os policiais circulando pelas ruas”, afirma.

Vizinha de Dona Maria, a aposentada Margarida Okopny, 58, já viveu na pele a violência que assolava o bairro. Há pouco mais de 10 anos, seu filho, que era envolvido com tráfico de drogas, foi baleado no centro da cidade. Ele tomou 10 tiros após ser abordado por traficantes da Vila Guaíra. O rapaz sobreviveu, mas o episódio traumatizou a aposentada.

“Esse é um exemplo do que era a região. Minha família e muitas outras sofriam com a violência na região. Hoje não tem do que reclamar. A polícia está aqui e acertaram na região. Eles estão onde a bandidagem costumava agir e é assim que tem que ser e continuar”, desabafa.

Falta diálogo

Apesar de elogiarem a presença da polícia em toda a região do Parolin, os moradores acreditam que o diálogo com os policiais podia ser mais constante. De acordo com a vizinhança, quase não há conversa com os oficiais que trabalham no local.

“Eles fazem a parte deles e nós fazemos a nossa. Quase não param pra conversar e, às vezes, dar uma parada e tentar conhecer melhor os viznhos seria bom para melhorar o relacionamento”, opina Irene Souza da Silva, proprietária de um mercado.

Maria Azevedo, que trabalha com materiais reciclados no Parolin há 20 anos, também pede mais diálogo entre policiais e população. “Ficou mais seguro, graças a Deus, mas tem uns policiais que são mais brabos e não conversam tanto. Se conversassem mais, teriam mais a confiança dos moradores”, diz.

Não tem módulo fixo

Atualmente, o Parolin não conta com um módulo fixo da UPS e a sede administrativa da operação fica na Praça Afonso Botelho, onde 32 policiais trabalham no patrulhamento da região.

Além disso, há duas viaturas e duas motocicletas, à disposição 24 horas, e um módulo móvel, que opera das 8h às 20h, principalmente no cruzamento entre as ruas Francisco Parolin e Brigadeiro Franco.

Mesmo com a constante presença policial no bairro, os moradores acreditam que um módulo fixo mais próximo seria mais eficaz. Seu Roberto Mendes Teixeira, que mora no Parolin há 30 anos, pede que um posto policial seja construído mais próximo do bairro.

“Apesar dos policiais estarem sempre por aqui, acho que seria mais prático e eficaz se existisse um módulo fixo aqui, com toda a estrutura pra dar segurança pra população”, argumenta.