Moradores de Mandirituba, a cerca de 40 km de Curitiba, fizeram um ato ontem pela manhã contra a instalação do empreendimento de coleta e tratamento de lixo no município. A empresa Cavo Serviços e Saneamento tem um terreno na cidade, desde 2002, e já conseguiu algumas licenças para implantar a sua tecnologia em Mandirituba, só está faltando a licença de operação (a última). Os moradores participaram de uma missa ao ar livre em frente ao terreno da Cavo.

O Consórcio do Lixo da Região Metropolitana de Curitiba também já conseguiu licença prévia para a instalação do Sistema de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (Sipar) em Mandirituba. A Cavo, por sua vez, mantém o processo de instalação de seu empreendimento sob força de uma liminar concedida pela Justiça de Fazenda Rio Grande (Mandirituba faz parte da comarca de Fazenda). Em 2002, a OSCIP Ação Ambiental e moradores entraram com uma ação contra o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), na época acusado de improbidade administrativa por conta das licenças ambientais indevidas. Depois de recorrer várias vezes, a Cavo conseguiu a liminar favorável.

Porém, para os moradores e ambientalistas tanto faz se o Sipar ou a Cavo instalarem a nova tecnologia em Mandirituba. Eles não querem que o lixo seja destinado para lá, de qualquer maneira, pois acreditam que tanto um aterro como um sistema novo de tratamento de resíduos (por meio de compostagem ou reciclagem) vai contaminar o solo. “A cada 100 metros que você anda aqui você tropeça em um lençol freático. Sem falar que a Cavo promete reciclar apenas 6%. E os outros 94% irão para o aterro”, afirma a presidente da ONG Ação Ambiental, Ionara Marcondes.

A representante da Associação de Moradores do Ganchinho, em Mandirituba, Inês Martins, afirma que a Cavo nunca apresentou um projeto que mostrasse que a intenção é mesmo reciclar o lixo, e não utilizar aterros. “O nosso município é essencialmente agrícola. Se o aterro vier para cá os produtores de frango não vão mais conseguir vender a produção. Sem falar na fauna e na flora, que vai ser destruída”, reclama. Ela explicou que a população tem medo que a Cavo vença o Consórcio e que, de qualquer maneira, se instale no município. “Nós acreditamos que a melhor saída seria que cada município cuidasse de seu lixo”, opina. Os moradores e a OSCIP já recorreram da decisão na Justiça.

A assessoria de imprensa da Cavo informou que não há previsão de quando a licença de operação será concedida para a empresa e que para receber as outras licenças realizou “um amplo estudo sobre a área”. A Cavo informou também que será construído no local uma central de reciclagem e uma unidade de compostagem, bem como uma central de tratamento para o lixo restante. Segundo a Cavo, com o empreendimento “Mandirituba terá uma reserva de preservação permanente” e o município “se beneficiará com compensações financeiras”, com a instalação do empreendimento. Uma lei municipal impede a instalação de usinas ou aterros de lixo na cidade. Mas segundo a assessoria da Cavo, a lei municipal não se sobrepõe ao IAP, que é um órgão do Estado.