O número de mortes em confrontos com policiais civis e militares e guardas municipais aumentou 57% no Paraná nos últimos seis anos. O dado faz parte de um levantamento divulgado nesta semana pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MPPR).

No primeiro semestre de 2021 foram registradas 210 mortes, contra 134 ocorridas no mesmo período de 2015. Diferente da estatística de seis anos atrás, em 2021 não houve mortes em confrontos com policiais civis – em 2015 um dos óbitos ocorreu nessas condições. Em ambos os períodos houve duas mortes em confrontos com guardas municipais.

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De acordo com detalhamento feito pelo Gaeco, as duas mortes por guardas municipais entre janeiro e junho de 2021 ocorreram em Curitiba. Em uma delas houve perseguição a um veículo furtado, e a morte foi resultado da reação dos guardas quando o motorista do carro teria apontado arma contra eles. No segundo caso, um guarda municipal que, nas palavras do Ministério Público, estava de folga e se encontrava ocasionalmente em um estabelecimento comercial, reagiu a um assalto. Houve troca de tiros, que resultaram na morte de um dos assaltantes; o guarda foi ferido e outros três bandidos fugiram.

Maioria dos mortos era jovens

O levantamento do Gaeco mostra também que entre as mortes em confronto com a Polícia Militar a maioria dos óbitos foi registrada em pessoas com idades entre 18 e 29 anos (53,36% do total). Há informações sobre 11 vítimas com idades entre 13 e 17 anos e duas com 60 anos ou mais. Quando o detalhamento é feito pela cor da pele das vítimas, metade das mortes foi de pardos, 104 óbitos, e pouco mais de 40% das ocorrências envolveu confronto com pessoas brancas, 89 vítimas.

Curitiba foi a cidade paranaense com maior registro de mortes em confrontos, com 45 ocorrências. Na sequência vêm as cidades de Londrina (16), Piraquara (11) e Colombo (10). Arapongas, Campo Magro, Cianorte e São José dos Pinhais registraram 6 mortes. Fazenda Rio Grande, Ibiporã e Matinhos tiveram 5 mortes cada. Almirante Tamandaré, Maringá, Ponta Grossa e Quatro Barras registraram 4 óbitos em confrontos com policiais militares. Confira aqui a lista completa de cidades.

A Gazeta do Povo procurou as assessorias de comunicação da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), responsável pela PM, e da Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito de Curitiba, responsável pela Guarda Municipal da Capital, para comentar os dados do levantamento do Ministério Público.

Em nota, a Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito de Curitiba informou que “todo disparo de arma de fogo com munição letal ou menos letal é apurado pela Corregedoria da Guarda Municipal de Curitiba, em conformidade com a lei federal 10.826/2003”. A nota segue, informando que “por meio do procedimento é verificada a existência de eventual irregularidade e o uso adequado do armamento, com as devidas providências previstas em regimento interno da corporação”. Não houve retorno por parte da Sesp.

Mudanças nas abordagens

No fim de julho passado, representantes do Ministério Público do Paraná e da Polícia Militar do Paraná se reuniram em Curitiba para discutir, entre outros assuntos, o que poderia ser feito para reduzir esses números. Foram apresentadas diversas sugestões, como a realização de abordagens sem confronto e o uso de câmeras e armas não letais pelos policiais, como já é feito pela PM de São Paulo.

“A adoção desse tipo de recurso premia os bons policiais, os que executam suas atividades ordinárias com correção e presteza. É algo que pede uma boa avaliação, pois demanda investimento, mas é importante iniciar essa discussão”, avaliou, na época, o coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Criminais, do Júri e de Execuções Penais, procurador de Justiça Hélio Lewin.

Para o comandante-geral da PM, coronel Hudson Leôncio Teixeira, o encontro foi classificado como proveitoso. “O relacionamento institucional da Polícia Militar com o Ministério Público prossegue cada vez mais fortalecido no propósito republicano de melhor servir à sociedade paranaense na área de segurança pública”, declarou, à época.

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