Quem usa as linhas urbanas do transporte coletivo de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, poderá ter que pagar mais caro pela passagem. O motivo para o possível reajuste na tarifa é que os vereadores da cidade aprovaram com unanimidade na manhã desta terça-feira (07) o fim da dupla função. Na prática, isso significa que os motoristas de 24 linhas não poderão mais cobrar a passagem de usuários.

A partir de agora, o Projeto de Lei segue para o gabinete do prefeito Luiz Carlos Setim, que tem 15 dias para aprová-lo ou não. Caso o ele sinalize positivamente pela medida, as empresas terão 120 dias para se adaptar às novas regras. Para Anderson Teixeira, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), a aprovação na Câmara representa uma importante vitória para a categoria.

“Temos que acabar com essa atividade nefasta que ainda acontece em várias cidades da região metropolitana de Curitiba. É uma prática ruim para os trabalhadores e também à sociedade. Hoje conseguimos uma vitória importante”, disse Teixeira em nota à imprensa.

Bonificação bem-vinda

As duas empresas que operam o transporte coletivo urbano em São José dos Pinhais, a Autoviação Sanjotur e Autoviação São José, ainda não sabem como irão administrar as possíveis mudanças. Para Nelson Carvalho, gerente de tráfego da Sanjotur, o reajuste na tarifa é inevitável.

“A modalidade de o motorista também cobrar a passagem é uma forma de manter o preço da tarifa. Além disso, o motorista que faz a cobrança ganha um adicional de 20% no salário, o que pode representar entre R$ 350 e R$ 400”, comentou Carvalho. Segundo gerente, com essa bonificação a maioria dos motoristas até prefere exercer as duas funções.

Crise no transporte

Outro ponto levantado por Carvalho é a atual crise no transporte coletivo. Como as empresas que operam na cidade não recebem nenhum subsídio municipal ou estadual, precisam “andar com as próprias pernas”. “O número de passageiros está caindo mês a mês. Não estamos mandando embora, mas quem sai já não é reposto”, afirma.

A culpa da falta de usuários é atribuída às facilidades na compra de um automóvel. “Hoje se reduz o IPI, parcela o carro em várias vezes e aí faltam passageiros. Se não fosse assim poderíamos colocar cobradores em todas as linhas”, reiterou Carvalho, que completou levantando a questão da falta de mão de obra na categoria.

Dinheiro

A medida de retirar os cobradores é uma forma de incentivar o pagamento com o cartão transporte da cidade, diminuindo a circulação de dinheiro dentro os veículos e evitando assaltos e outras ações criminosas. O percentual de passageiros que usam exclusivamente o dinheiroiro é pequeno, segundo Carvalho, não passando de 35%.

A Autoviação São José disse que só se pronunciaria por meio do o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp). A reportagem entrou em contato com o Setransp, mas a entidade afirmou que só irá se manifestar após a decisão do prefeito da cidade. A prefeitura de São José dos Pinhais também foi procurada e, segundo a assessoria de imprensa, cabe às empresas encontrar uma solução para questão.