O impasse envolvendo a negociação sobre o aumento salarial dos motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba e região metropolitana segue sem acordo e a categoria aprovou um indicativo de greve.

Na manhã desta quarta-feira (19), representantes do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) e do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) se reuniram na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, mas as negociações entre as partes não avançaram.

Segundo Dino César Morais de Mattos, vice-presidente do Sindimoc, o Setransp alega que devido ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) solicitar a redução da tarifa técnica não há condições para que os patrões concedam aumento à categoria, o que desagradou o representante do Sindimoc.

“Nós reivindicamos um aumento real acima da inflação, mas o sindicato patronal não fez nenhuma proposta até agora. O indicativo de greve foi aberto logo após o término da reunião e caso não tenhamos nenhuma evolução durante esta semana faremos uma assembleia na próxima segunda ou terça-feira, na qual a categoria decidirá se entra ou não em greve”, afirmou Mattos.

Esta é também a opinião de José Luiz Kogeraski, presidente do Sindicato dos Empregados em Escritórios e Manutenção nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindesmat).

“Estamos juntos com o Sindimoc e o indicativo de greve está aprovado. Não queremos prejudicar a população, mas precisamos lutar por nossos direitos e, se for necessário, entraremos em greve”.

Encontro

No início da tarde de hoje, o prefeito Gustavo Fruet se reuniu com o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, para discutir a questão, mas a assessoria de imprensa da prefeitura informou que Fruet não vai se manifestar sobre o assunto.

A reportagem do Paraná Online tentou contato telefônico com o presidente do Sindimoc para que ele comentasse o teor da conversa com o prefeito, mas ele não atendeu as ligações.

Patrões temem atos de vandalismo

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Setransp afirma respeitar o direito de greve dos trabalhadores, mas alega que as empresas de ônibus de Curitiba e região metropolitana enfrentam dificuldades financeiras para cumprir as exigências da categoria.

“As reivindicações dos trabalhadores encontram sérios obstáculos para serem atendidas, devido ao grande número de itens e pelos altos valores reivindicados”. O Setransp alega também que teme pela segurança da população e pelos atos de vandalismo que poderão ocorrer caso a greve se confirme.

Com relação à decisão do Tribunal de Contas do Estado que solicitou a redução de R$ 0,43 na tarifa técnica, o Setransp informou que entrou no Tribunal de Justiça com um mandado de segurança contra a decisão do TCE, pedindo a suspensão da liminar.