Familiares e amigos das vítimas
protestaram ontem.

O Ministério Público do Paraná, através das promotorias de Investigação Criminal e do Tribunal do Júri, ofereceu denúncia ontem, na Central de Inquéritos, contra o organizador do show Unidos Pela Paz, que resultou na morte de três adolescentes, no último dia 31 de maio, no Jockey Club do Paraná. Athayde de Oliveira Neto é acusado de três delitos de homicídio duplamente qualificado, por dolo eventual, além de dois delitos de lesões corporais de natureza grave, estelionato e falsidade ideológica.

A denúncia será distribuída a uma vara criminal de Curitiba, e, em sendo acatada, poderá gerar ações criminais contra Athayde. Os promotores também atribuem a Athayde duas qualificadoras em relação aos homicídios: a asfixia das vítimas e a motivação torpe, pois o organizador do show teria agido visando lucro. A pena para este tipo de crime vai de 12 a 30 anos. A lei prevê um aumento da pena de 1/3 a 2/3 quando há mais de uma vítima. Depois de ouvir as testemunhas do MP e da defesa, o juiz da vara que receber a denúncia decidirá se Athayde será julgado pelo Tribunal do Júri, que é competente para julgar homicídios dolosos.

Pai

O pai do organizador do show, Athayde de Oliveira Filho, também foi denunciado por falsidade ideológica. Quando foi feito pedido junto ao Juízo da Infância e Adolescência de Curitiba para liberar a participação de menores no show, tanto pai como filho indicaram a empresa ALM Eventos, nome de fantasia do Restaurante Dançante Macallan, de propriedade de Athayde Júnior, a fim de conseguir o alvará. Na condição de pessoas física, Athayde Neto não poderia solicitar o documento.

Protesto

Familiares e amigos dos adolescentes mortos no show fizeram um protesto ontem, em Curitiba. Com faixas e pedindo justiça, os manifestantes caminharam da Boca Maldita, Centro da capital, até a Câmara Municipal de Curitiba, onde acenderam velas em homenagem aos mortos e entregaram propostas de melhoria na segurança de grandes shows.

Um dos organizadores da manifestação, o estudante Rodrigo Strapasson, 23 anos, explicou que entre as idéias apresentadas à Câmara estão a presença de seguranças profissionais e de um número de ambulâncias proporcionais à quantidade de público nos shows. “O policiamento não deve cobrar taxas para fazer segurança nesse tipo de evento”, afirmou Strapasson.

Mariana Guedes, 15 anos, chegou a ir ao fatídico show. Ela contou que teve contato com as vítimas Larissa Cervi Seletti e Mariá de Andrade Souza minutos antes da tragédia. “Elas me ligaram para saber onde eu estava. Depois daquilo perdemos o contato, tentei ligar outras vezes mas não consegui. Mais tarde minha mãe me ligou mandando eu sair do show porque havia acontecido uma tragédia”, lembrou com tristeza.

A irmã de Larissa, Letícia Cervi Seletti, 22 anos, disse que o protesto servirá para prevenir as pessoas e que para outras famílias não sintam a dor que a dela está sentindo. Letícia disse não saber quem é o culpado da morte de sua irmã, mas pede justiça. “Queremos que a responsabilidade seja apurada e a pessoa ou pessoas culpadas sejam punidas”, concluiu.