O Ministério Público em Apucarana, região norte do Paraná, instaurou um inquérito civil para apurar denúncias de mortes de cães e gatos que estão abrigados no Canil Municipal.

De acordo com o promotor Eduardo Cabrini, um dos funcionários do local já prestou depoimento e confirmou que vários animais foram envenenados, e que isso foi ordenado pela chefia do próprio Canil. Corpos de animais e tubos com um veneno chamado popularmente de chumbinho foram encontrados no local.

O inquérito civil foi instaurado para apurar quem são os culpados pelas mortes e se houve improbidade administrativa. O promotor contou que várias denúncias chegavam ao Ministério Público há cerca de dois anos, porém não havia provas.

No entanto, na semana passada, uma prova finalmente apareceu: integrantes da Sociedade Protetora dos Animais de Apucarana foram até o Canil e fotografaram o chumbinho, que estaria sendo usado para matar os animais.

“Nós também fomos até o Canil e vimos três tubos plásticos com o veneno. Encaminhamos para a perícia e estamos aguardando o resultado, mas já é praticamente certeza que o veneno foi utilizado”, afirmou.

No local, Cabrini também encontrou vários corpos de animais em uma vala, outra prova do crime. Segundo ele, o funcionário que depôs disse que tinha a ordem de matar animais magros, velhos e doentes.

“Não sei precisar quantos havia na vala devido ao estado de decomposição, mas eram vários”, comentou. O promotor se mostrou surpreso com o crime. “É um veneno proibido de se comercializar, e que inclusive a própria Vigilância Sanitária, da qual o chefe do canil faz parte, deveria fiscalizar”, afirmou o promotor.

No âmbito policial foi instaurado um inquérito para apurar o crime ambiental. Segundo Cabrini, se por acaso for comprovada a improbidade administrativa, os acusados podem ter que pagar multa – que pode chegar a até 100 vezes o valor do salário -e serem suspensos dos cargos. Já na esfera policial, o crime ambiental prevê reclusão de um a quatro anos.

A prefeitura de Apucarana, por meio de nota, informou que uma sindicância foi instaurada para apurar responsabilidades e que a “coordenação desconhecia a existência do referido raticida no local”.

A nota diz ainda que “a todos os agentes envolvidos na administração pública, nunca, em hipótese alguma, foi dada orientação diferente do que a de que devem atuar de forma a respeitar as já citadas normas ambientais, sanitárias e critérios da lei”.