A falta de entendimento entre o Conselho Universitário (Coun) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Comissão Paritária de Consulta levou o Ministério Público Federal (MPF) a intervir nas eleições para reitor da instituição.

No último dia 12, o MPF encaminhou um ofício à UFPR questionando os motivos pelos quais o processo estaria ocorrendo para escolher reitor e vice-reitor, já que a única vaga em aberto é para o primeiro posto. A UFPR já respondeu o MPF que, por sua vez, analisa a resposta e deve definir nos próximos dias que medidas irá tomar.

De acordo com a assessoria de imprensa do MPF, a procuradora Antônia Lélia Sanches foi quem recebeu a resposta da UFPR, mas ela não deve dar entrevistas. A reitora em exercício e presidente do Coun, Márcia Helena Mendonça, já possui o cargo de vice-reitora.

Arquivo
Mauro Lacerda diz que Coun não pode interferir em brigas internas.

A dúvida se as eleições da universidade seriam feitas apenas para a vaga de reitor ou por chapas foi um dos grandes entraves das eleições, que já teve datas alteradas por conta disso.

No dia 5 de agosto, o Coun suspendeu a resolução que tratava das eleições apenas para reitor e emitiu uma nova resolução determinando que a Comissão Paritária teria até o dia 28 de agosto para rediscutir o impasse com a comunidade universitária.

O problema é que a comissão não aceitou isso, não rediscutiu a questão e ainda continuou considerando o calendário anterior, que estipulava o dia 27 como sendo o dia da votação.

Outro problema é que a Comissão Paritária não conta com o apoio do seu próprio presidente, o professor Emmanuel Appel. Na última segunda-feira, o docente entregou uma declaração pública ao Coun, ao MPF, à Procuradoria da República no Paraná e a toda a comunidade universitária questionando o fato de integrantes da comissão estarem extrapolando o poder da presidência.

“Esse grupo que está assaltando a Comissão Paritária insiste no dia 27, e inclusive entregou documentos falsificando minha assinatura. Então, essa declaração serve para que os órgãos da Justiça tomem as providências cabíveis”, reclamou.

Já o presidente da Comissão Eleitoral no Coun, Mauro Lacerda, explicou que o Coun não pode interferir nas brigas internas da Comissão Paritária. Ele também diz que a UFPR está vivendo uma verdadeira confusão.

“Vão acabar acontecendo duas consultas: uma das entidades, no dia 27, e outra no Coun. É um retrocesso democrático”, disse. Por conta do impasse, dois candidatos – Paulo Bracarense Costa e Amadeu Bona Filho – inscreveram-se apenas no Coun, sem candidato a vice. Já os professores Cid Aimbiré Santos e Zaki Akel Sobrinho efetuaram a inscrição na Comissão, com os vices.

O professor Bona Filho diz que está bastante preocupado com a confusão e que deve atender apenas às determinações do Coun. “É o nome de uma instituição séria que está em jogo por conta de oportunismos”, afirmou. Costa, por sua vez, disse que vai aguardar as discussões dos próximos dias e afirmou que vê como um “retrocesso” a questão do vice.

“Alguns candidatos se inscreveram com o vice, mas ainda nem existia a determinação do Coun para isso. Me resta agora aguardar que tudo se harmonize”, afirmou.