Uma celebração ecumênica nesta quarta-feira (21) lembrou um mês da morte do líder sem-terra Valmir Mota de Oliveira, o Keno, de 42 anos, ocorrida durante um confronto com seguranças da fazenda Syngenta Seeds, na cidade paranaense de Santa Tereza do Oeste. Cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Via Campesina participaram das homenagens. O segurança Fábio Ferreira, de 25 anos, foi a outra vítima do confronto.

O culto religioso se transformou num ato de repúdio ao assassinato do líder sem-terra e ao cultivo de transgênicos no Paraná. Os trabalhadores rurais também pediram a prisão dos seguranças envolvidos no homicídio do líder sem-terra. O coordenador estadual do MST, Celso Ribeiro Barbosa, se emocionou ao falar do colega morto. "Ele foi uma liderança expressiva dentro do movimento e lutou muito pelas causas dos sem-terra", disse.

Sobre o inquérito policial enviado ao Ministério Público na segunda-feira – que culpa nove seguranças e o dono da empresa NF Segurança por homicídio, tentativa de homicídio e formação de quadrilha e livrando os sem-terra de responsabilidades -, Celso não quis comentar o assunto. "Os advogados do MST estão cuidando do caso", resumiu o coordenador, que foi apontado no inquérito por esbulho possessório – invasão com violência ou ameaça de bens alheios.