Cerca de 160 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam ontem pela manhã uma propriedade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, em Ponta Grossa, a 120 quilômetros de Curitiba. Os invasores argumentam que a propriedade não se destina totalmente à pesquisa e teria sido arrendada para particulares. A Embrapa informou que entraria ainda ontem com pedido de reintegração de posse. O governador Roberto Requião afirmou que dará prazo até as 15h de hoje para os invasores deixarem a área. Caso contrário, determinará à Polícia Militar que desocupe a fazenda, “de forma pacífica e transparente”.

O coordenador do MST na região dos Campos Gerais, Célio Rodrigues, disse que dos 3.900 hectares muito pouco é destinado à pesquisa. “Acho que eles estão pesquisando como se faz arrendamento de terras”, ironizou. Rodrigues afirmou que somente uma reflorestadora teria arrendado 450 hectares. Segundo ele, a fazenda tem como vizinho uma grande madeireira. “Acho que eles querem entregá-la para a madeireira, mas agora vai ser usada para a reforma agrária”, disse. O MST também alega que vai preservar a área de experimentos transgênicos.

Embrapa

O diretor executivo da Embrapa em Brasília, Hebert Lima, negou que a empresa tenha arrendado a fazenda experimental. Ele informou que, dos 3.900 hectares, 2.700 estão cedidos em comodato ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Nessa área são feitas pesquisas em parceria com a própria Embrapa e outros centros, para desenvolver sistemas de cultivo para a agricultura familiar e a integração entre agricultura e pecuária. Na área restante, a Embrapa instalou um campo de produção de sementes básicas e algumas espécies florestais.

“Isso depois é repassado para todo o Brasil”, disse Lima. “Fornecemos materiais genéticos promissores.” Ele afirmou que a área é utilizada de acordo com a demanda, estando sem produção em determinados períodos do ano. Segundo o diretor executivo da Embrapa, o diálogo com integrantes do MST e de outros segmentos agrícolas brasileiros tem sido constante.

Além de ter entrado com pedido de reintegração de posse, a Embrapa também enviou dois assessores de movimento social da empresa para discutir com os sem-terra os motivos da invasão, o que deve acontecer hoje. “Ainda não sabemos qual a pauta que eles querem negociar”, disse. “Nosso objetivo é que eles saiam sem causar transtornos para as pesquisas.” Lima também afirmou que a Embrapa não tem qualquer plantio de produtos geneticamente modificados naquela propriedade e nem intenção de fazê-lo. (