Desde o início da manhã de ontem, o pátio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Apucarana, no norte do Paraná, está sendo ocupado por cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

De acordo com a militante Lucimar Assunção, os sem terra estão pedindo maior atenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para o assentamento das mais de seis mil famílias do movimento no Estado.

“Além disso, queremos a desapropriação de mais terras no Paraná, redução dos preços dos alimentos, entrega de merenda para as escolas itinerantes, liberação de lonas e cestas básicas para os 65 acampamentos do Estado”, reivindica.

De acordo com Assunção, a entrega das cestas básicas está atrasada desde novembro do ano passado. “Estamos há meses sem receber os alimentos porque nenhum dos dois órgãos se entendem. O Incra nos diz que precisa que a Conab entregue as cestas e a Conab diz que o Incra não libera recursos para a compra dos alimentos”, afirma.

O Incra afirma que já está trabalhando na resolução das questões mais emergenciais como a liberação de lonas e de alimentos aos sem terra. “Estamos buscando ainda, através de uma ação de desapropriação, a liberação de duas áreas para reforma agrária na região de Jacarezinho, no Norte Pioneiro”, explica o ouvidor agrário regional do Incra, Vinicius Gessolo.

Os pedidos disponíveis de lonas feitos neste ano deverão ser entregues às famílias após o MST discriminar ao Incra quais áreas mais precisam. Sobre as outras reivindicações apresentadas, Gessolo afirma que o instituto também está buscando soluções com os órgãos competentes.

Segundo o gerente da unidade de Apucarana da Conab, Jefferson Raspante, o órgão está esperando decisão superior para solucionar o problema dos militantes. “Não podemos fazer nada sem a autorização de Brasilia”, diz.

Por se tratar de um órgão que está sob a responsabilidade do governo federal, Raspante afirma que a Conab não tem a intenção de solicitar a reintegração de posse do local.

De acordo com o MST, seus integrantes ficarão no local até que o problema seja resolvido. “Ficaremos acampados até que se tenha uma solução para toda essa discussão. Ainda temos como objetivo marcar uma reunião com um representante de cada um deles”, afirma a militante.