Foto: Tribuna do Norte

Em Arapongas, no norte do Estado, 200 militantes ocuparam o local.

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizaram ontem protestos em diversas agências do Banco do Brasil (BB) no interior do Estado para entregar uma pauta de reivindicações. Desde o último dia 12, o MST está fazendo mobilizações pela Jornada de Luta pela Reformaria Agrária, que termina hoje.

O MST e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) têm atos programados para hoje no Paraná para lembrar os casos dos sem terra assassinados nos últimos anos, e também o massacre no dia 17 de abril de 1996 em Eldorado dos Carajás, no Pará.

De acordo com a coordenação do MST, os trabalhadores rurais fizeram protestos em 14 agências do BB: Campo Mourão, Reserva, Lapa, Irati, Laranjeiras do Sul, Quedas do Iguaçu, Arapongas, Terra Rica, Santa Cruz do Monte Castelo, Querência do Norte, São Jerônimo da Serra, Santa Cecília do Pavão, Marmeleiro e União da Vitória. Em seis dessas agências o banco informou que houve atendimento somente pelos caixas eletrônicos (atendimento parcial). A Polícia Militar acompanhou a entrada de cerca de 200 militantes em uma agência em Arapongas, norte do Estado, mas não houve tumulto.

Os trabalhadores rurais pedem liberação de crédito imobiliário, R$ 3,5 milhões para construção de agroindústrias, desbloqueio dos recursos referentes a 2007 e 2008 do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, assistência técnica para 15 mil famílias assentadas e ampliação dos recursos do Programa de Aquisição de Alimentos. Eles reclamam ainda que os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) não são suficientes para atender o público da reforma agrária.

Mortes no campo

Hoje o MST no Paraná vai realizar um ato em Ortigueira, região central, para lembrar o Dia Internacional de Luta pela Terra. Na manifestação, que acontece na catedral da cidade, os trabalhadores rurais vão lembrar a morte do sem terra Eli Dallemole, no dia 30 de março. Com o objetivo de alertar e também lembrar as mortes no campo, a CPT vai realizar um seminário em Londrina. Em Rio Bonito do Iguaçu, os trabalhadores rurais que vivem no assentamento Ireno Alves dos Santos e Marcos Freire vão realizar um ato em comemoração a maior ocupação realizada no Paraná, em 1996.

Protesto

Trabalhadores sem terra do Movimento 25 de Março que ocupam uma área às margens da BR-227 em Santa Tereza do Oeste bloquearam por uma hora a rodovia na última terça-feira em protesto contra uma liminar de reintegração de posse obtida pela concessionária de pedágio Rodovia das Cataratas. Eles estão acampados no local há alguns anos.

ONG denuncia as milícias

Aconteceu ontem, no Congresso Nacional, em Brasília, uma audiência pública para discutir a questão da violência no campo no Paraná. A ONG Terra de Direitos denunciou aos deputados a atuação de milícias armadas no Estado e os parlamentares ouviram testemunhos de pessoas que estão sendo ameaçadas de morte. O coordenador do setor de segurança privada da Polícia Federal, órgão que regulamenta o trabalho das empresas de segurança, Lícínio de Moraes Netto, também falou.

O membro da coordenação do MST no Paraná, José Damasceno, também contou aos deputados que está recebendo ameaças de morte desde o assassinato do sem terra Eli Dallemole. A Terra de Direitos entregou um dossiê aos parlamentares, também foi passado à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Paraná, que mostra ?a falta de eficiência do Estado para evitar e apurar a violência no campo?.