As mulheres curitibanas vítimas de violência estão buscando Unidades Básicas de Saúde e os Hospitais de Clínicas, Evangélico e Pequeno Príncipe quando precisam de atendimento. Este é um dos primeiros resultados positivos do Programa de Atenção à Mulher Vítima de Violência -Mulher de Verdade, lançado em março pelo prefeito Cassio Taniguchi. Reunida nesta semana para um balanço dos três primeiros meses de funcionamento, profissionais das várias áreas, envolvidos no atendimento, confirmaram a adesão das mulheres ao programa.

“As mulheres já entenderam que podem encontrar ajuda na própria Unidade de Saúde e nos hospitais que participam desta rede de atendimento”, analisa a coordenadora do programa, Vera Lídia Alves de Oliveira, que participou da reunião junto com a Delegada da Mulher, Darli Rafael, enfermeiros e médicos do Hospital de Clínicas e da Secretaria da Saúde.

A partir de agora, além da garantia do atendimento prioritário nos hospitais quanto à sua saúde, as vítimas de violência passam pela perícia médica no próprio hospital, sem precisar deslocar-se até o Instituto Médico Legal para serem examinadas pelos peritos. É que o Governo do Estado acaba de destinar cinco médicos exclusivamente para o atendimento destas situações. “Agora, a mulher é atendida num único local, com muito menos desgaste”, diz a enfermeira Maria Goretti David Lopes, uma das responsáveis pelo programa.

Desde a implantação do protocolo que deu início ao programa, em março, a média de atendimentos por mês é de 20 crianças e mulheres nos hospitais e Unidades de Saúde. “”Está acima do que imaginávamos. Acreditamos que, com a habilitação das Unidades como porta de entrada para estes atendimentos, as mulheres passaram a se sentir mais confiantes. Elas sabem que podem nos procurar” , defende Vera Lídia.

Rapidez

Os responsáveis pelo programa lembram que é fundamental que as mulheres busquem o atendimento o mais rápido possível. Do total de mulheres atendidas, 46,88% estão procurando o atendimento até 12 horas após o ato de violência, 21,88%, até 24 horas, 12,5% até 48 horas e 18,75% buscaram o atendimento com mais de 72 horas. “”Há mulheres que foram violentadas há alguns meses e agora que descobriram o serviço, estão buscando o atendimento”, completa a coordenadora.

O atendimento rápido é necessário para que seja feita a profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e de gravidez indesejada. A norma do Ministério da Saúde estabelece o prazo de até 72 horas para as DST e Aids. No caso de gravidez, o tratamento é mais eficaz até 24 horas depois. Aquelas que procuram atendimento médico após este prazo têm a garantia do acompanhamento da sua saúde por, pelo menos, 90 dias.

Mais jovens

Um balanço feito pela Secretaria da Saúde com base nos dados de março e abril mostra que a maioria dos atendimentos é de adolescentes. A faixa etária em que houve o maior número de atendimentos foi dos dez aos 19 anos de idade, representando 53,1% do total. Em segundo lugar aparecem as mulheres com idades entre 20 e 29 anos, representando 31,3%. O estudo também revela que 65,6% dos agressores eram desconhecidos. “Mas 34,4% eram pessoas conhecidas. São maridos, ex-maridos, pais, amigos de alguém da família. Este índice é muito alto”, diz Vera Lídia.

Protocolo

O protocolo do programa, que teve a sua proposta amplamente discutida por integrantes da Delegacia da Mulher de Curitiba, legistas do Instituto Médico Legal (IML), membros do Movimento de Mulheres e da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, estabelece que os procedimentos ambulatoriais, inclusive a anticoncepção de emergência, sejam feitos nas próprias Unidades de Saúde básica e nas Unidades 24 Horas. Nos casos mais graves e de violência sexual, a mulher é encaminhada imediatamente para um dos hospitais para que possa fazer a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Entre crianças e adolescentes do sexo feminino os casos de violência já são notificados em Curitiba. A Notificação Obrigatória de Violência ou Suspeita de Violência na Infância e Adolescência atende ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê pena aos profissionais que deixem de comunicar às autoridades os casos que tenha conhecimento envolvendo suspeita ou confirmação de maus tratos.