O prédio construído em 1754 pelos padres jesuítas, que abriga o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Paranaguá, vai passar por uma completa restauração. Além disso, o museu vai contar com tecnologia de ponta para conservar e expor as peças do acervo. Mas as obras ainda não estão garantidas. O projeto vai custar R$ 2,8 milhões e depende da participação de empresas privadas, que vão poder se beneficiar da Lei Rouanet de incentivo à cultura.

O prédio que abriga parte da história paranaense e brasileira é de inestimável valor histórico, era um colégio jesuíta, sendo o único de três andares que restou no Sul do Brasil. Mas ele apresenta vários problemas: o teto está com goteiras e algumas paredes parecem que vão se desmanchar. As peças estão guardadas nas salas que estão em melhores em condições.

O prédio foi tombado como Patrimônio Histórico em 1938. Essa vai ser a primeira vez que passa por uma restauração completa. Ele passou apenas por reformas em 1962, quando foi adaptado para abrigar o acervo do museu. O projeto de reforma prevê mudanças na parte interna, além de aproveitar a parte exterior onde ficam as ruínas de uma igreja jesuíta. Segundo a diretora do museu, Ana Luísa Fayet Sallas, elas passam a ganhar mais visibilidade, sendo um novo atrativo.

Mas além do prédio, o acervo do museu também chama a atenção pela beleza e valor histórico. Ele resultou de pesquisas feitas pelos professores e alunos da UFPR. São cerâmicas indígenas de 42 povos diferentes. Ainda existe uma máscara ticuna, peças sobre o fandango paranaense e uma coleção de bonecos em miniatura do escultor pernambucano, mestre Valentino, entre outros.

Tecnologia

Com a tecnologia a ser empregada, o público sai ganhando. Muitos objetos que não iam para a exposição por serem delicados demais para suportar a temperatura ambiente ganham visibilidade. Como é o caso da arte plumária. "Ela precisa de umidade e temperatura específicas", fala Ana Luísa.

Com o novo aparato tecnológico será possível também redesenhar a exposição permanente. Vai se chamar Assim vivem os homens e terá quatro eixos: o arqueológico, o tecnológico, de cultura popular e documentação visual. Com o novo modelo será possível dar mais visibilidade e uma idéia mais fiel da riqueza de todo o acervo.

Ana Luísa espera que até o fim do ano tenham início as obras. O projeto de restauração será enviado para aprovação do Ministério da Cultura. Ele custou R$ 157 mil e foi patrocinado pela Petrobras. Após a aprovação, a UFPR começa a ir em busca de parcerias com a iniciativa privada. Espera-se formar um consórcio para levantar o montante necessário.