Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2001, 4.352.572 de empregados domésticos estavam sem a carteira de trabalho assinada no Brasil. Esse número representa 73,88% do total de faxineiras, cozinheiras, babás, jardineiros e motoristas do País. No Paraná, 74,16% dos empregados trabalhavam sem o registro.

O delegado regional do trabalho de Curitiba, Geraldo Serathiuk, ressalta que esse número ainda é muito grande. “É um problema grave e não é somente dos empregados. Os patrões têm que estar a par de tudo o que acontece”, diz. Na tentativa de reduzir a irregularidade dos registros no Estado, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) prestou serviço ontem através de um mutirão. O evento ocorreu simultaneamente na capital, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e Cascavel. Em Curitiba, os empregados puderam fazer a carteira de trabalho na Praça Rui Barbosa.

Órgão estaduais e municipais e entidades não governamentais participaram da mobilização para diminuir a informalidade no setor. Os empregados que procuraram os serviços do mutirão também tiveram direito a orientações sobre saúde e práticas de manipulação de alimentos, dicas sobre cursos, oficinas de lazer e corte de cabelo grátis.

Serathiuk afirmou que cerca de 130 carteiras foram feitas ontem somente em Curitiba. Ele ainda contou que as Ruas da Cidadania, sindicatos e prefeituras da Região Metropolitana também realizam o registro. “Mesmo para aqueles que não compareceram hoje (ontem), o registro tem que continuar sendo feito nos demais locais. É um problema social, que no futuro pode causar mais dor de cabeça”, completa.

Aprovação

Terezinha Marfute reforça o discurso do delegado. A representante do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) destaca a importância da ação. “Sabemos que o problema é grande, mas essas campanhas servem de alerta para que um número cada vez maior de registros aconteça”, conta.

Laura Ampere, de 34 anos, trabalha há sete anos como empregada doméstica. Ela sempre trabalhou com carteira assinada e, na tarde de ontem, levou a filha, Andréa, de 16 anos, para realizar o procedimento. “É importante estar registrado para que depois possa ter os seus direitos totalmente respeitados. Se isso não acontecer, problemas maiores acabam aparecendo”, explica.

Verônica Rosa, de 41 anos, também é empregada doméstica e há oito anos trabalha em Curitiba. Ela conta que foi renovar a carteira. “A outra que eu tinha já estava muito velha. Nem dava para enxergar os meus dados. Aproveitei o mutirão para retirar uma nova. Sei da necessidade do registro e fiz questão de vir cedo”, diz.