Após a nova prorrogação do prazo para o porte obrigatório de extintores ABC em todos os automóveis, motoristas enfrentam aumento superior a 100% no preço do item de segurança. Devido à dificuldade dos motoristas em encontrar o produto nas lojas, a medida, que inicialmente entraria em vigor em 1.º de janeiro, passa a valer só a partir de 1.º de julho. A reportagem do Paraná Online percorreu vários estabelecimentos na tarde de ontem e constatou que vale a pena pesquisar, pois os valores variam brutalmente.

O novo extintor ainda está em falta em várias revendas, principalmente lojas de autopeças. Está mais fácil achar em postos de gasolina, porém a disparidade é grande. Ao longo da Rua João Negrão, a apenas três quadras de distância, os valores em dois postos tinham diferença de R$ 39,90: de R$ 140 para R$ 179,90. Segundo o funcionário do primeiro posto, que preferiu não se identificar, a tendência é o valor aumentar até julho. “Há três semanas estava bem movimentado, mas agora que os motoristas ganharam mais um tempo está saindo pouco. Porém acredito que logo voltaremos a ficar sem”, diz o gerente de pista.

Já nas autopeças, vale a pena ligar antes para não perder a viagem. A maioria das lojas de acessórios automotivos está sem estoque de extintores. “Todos meus pedidos foram cancelados pelo próprio fabricante, que alegou não ter disponível. Estou desde dezembro sem receber nada”, conta o proprietário da Lu-Autopeças, Luiz Carlos Rossetti.

Mas para quem procura, é possível encontrar lojas especializadas que ainda mantém preços mais acessíveis. Na loja Platina Extintores, no Guabirotuba, o item custa menos que a metade do que está sendo cobrado em postos de gasolina: R$ 85. “Ontem mesmo recebi 300 extintores. Hoje só estou com 50”, revela o proprietário, Antônio Freitas.

Lei da oferta e procura

Há cinco meses esperando um lote de extintores, o dono da empresa SCI Extintores, Paulo Saad, lamenta a maneira que a resolução está sendo imposta. “Comprei a vida inteira extintores para automóveis, mas agora que houve essa lei, nossos distribuidores parecem não estar vencendo a demanda e estão aumentando muito o preço do custo”, relata.

Segundo o empresário, o valor de compra dobrou de R$ 30 para R$ 60. “Esse valor não faz sentido, pois o custo para fabricar permanece o mesmo. Estão aplicando a lei da oferta e procura, mas quem está pagando mais neste caso é o consumidor”, critica.

Multa

Motorista que for flagrado sem o equipamento ou com extintor vencido após o dia 1.º de julho terá que arcar com multa de R$ 127,69 e ainda perderá cinco pontos na carteira de habilitação.

Não seja enganado!

O frentista Aparecido Barbosa conta que no último mês comprou um extintor de um antigo fornecedor do posto em que trabalha. Porém o equipamento era falsificado. “Quando descobri que era falsificado, deixamos de comprar com ele e meu patrão parou de comercializar extintores”, explica.

O Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem) aconselha que o consumidor sempre busque por estabelecimentos de confiança e evite comerciantes ambulantes. “É importante estar atento à embalagem, mas mesmo assim os falsificadores são criativos e ainda conseguem enganar. A melhor coisa a se fazer é buscar lojas que oferecem a nota fiscal, para poder cobrar depois, em caso de alguma fraude”, orienta o gerente de fiscalização do Ipem, Roberto Tamari.