Gêmeos xifópagos, que são ligados pelo tórax ou por qualquer outra parte do corpo – conhecidos popularmente como siameses – nasceram no Hospital de Clínicas de Curitiba (HC) no dia 22 de janeiro.

O HC não informa o estado de saúde dos bebês, o sexo, nem se passarão por cirurgia, mas confirma que eles estão internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal.

O HC também não confirma, mas informações extraoficiais dão conta de que os dois bebês estariam unidos pelo coração e pelo fígado, o que torna o estado deles bem mais delicado, segundo médicos especialistas.

Nenhum médico do HC concedeu entrevistas. Segundo a assessoria do hospital, a família também não pretende dar declarações. Por isso, a reportagem de O Estado procurou outros especialistas para explicar a anomalia.

O chefe do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, César Sabbaga, afirma que as chances de sobrevivência de gêmeos siameses são muito pequenas, principalmente quando eles estão unidos por órgãos vitais. De cada dez, apenas um consegue permanecer vivo até a cirurgia.

“A maioria desses bebês é unida pelo tórax ou pelo abdômen. Quando não há órgãos vitais juntos, a possibilidade de separá-los com êxito é maior. Mas a grande maioria não é assim”, explica o médico.

Estima-se que haja um caso de gêmeos siameses para cada 100 mil nascimentos. O pediatra, geneticista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Salmo Raskin afirma que não há explicações para tal anomalia, apenas teorias.

“Os gêmeos se formam quando o zigoto se divide em dois. No caso dos siameses, a teoria mais aceita diz que essa divisão não se dá de maneira correta e eles ficam unidos. Não há hereditariedade nesse caso”, diz. Outra teoria bastante discutida dá conta de que a divisão se dá perfeitamente, mas os dois acabam se aproximando e ficam grudados.

Os médicos dizem ainda que não há como prever ou evitar a concepção de bebês siameses, na medida em que não há hereditariedade, mas é possível verificar a anomalia na gravidez.

Raskin diz que há vários tipos de siameses, e a sobrevivência depende muito de cada caso. Porém, ele informa que em casos onde os bebês estão unidos pelo coração – como é o caso dos bebês que estão internados no Hospital de Clínicas – ou coluna vertebral, as chances de vida são muito pequenas.

Quatro casos em 9 anos no Paraná

No Paraná, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), foram registrados quatro casos de gêmeos xifópagos desde o ano 2000 até hoje. A Sesa não sabe confirmar se eles sobreviveram. No entanto, se contabilizados anos anteriores, o número de bebês siameses pode ser muito maior.

O chefe do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, cirurgião César Sabbaga, conta que em 40 anos foram registrados pelo menos cinco casos somente no hospital. Destes, os bebês de quatro casos morreram antes mesmo de passar por uma cirurgia.

No quinto caso – de dois meninos – apenas um deles sobreviveu, já que estavam unidos pelo fígado. Ele vive até hoje na Alemanha, pois foi adotado por um casal daquele país após ter sido abandonado pelos pais. Outro caso foi registrado em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, ano passado, mas nenhum dos dois bebês sobreviveu.

Os gêmeos xifópagos são sempre iguais (ou monozigóticos). O pediatra, geneticista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Salmo Raskin explica que, quando os bebês são iguais – mesmo os gêmeos comuns -não há hereditariedade, ou seja, cas,os na família não indicam que outros familiares poderão ter gêmeos também. Já quando se trata de gêmeos diferentes, a hereditariedade se aplica.