A população paranaense, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é composta por 20% de pessoas negras. Porém, apenas 1% delas chega a freqüentar uma universidade. O dado que preocupa ainda mais ? e que levou à criação do Projeto Adebori de Permanência de Negros no Ensino Superior do Paraná, pelo Instituto de Pesquisa da Afrodescendência (Ipad) ?, é o fato de que 50% dos universitários negros desistem antes de completar o curso.

A palavra adebori, no idioma ioruba, significa aquele (a) que veio para vencer. A professora de Direito do Unicenp, Marcilene “Lena” Garcia de Souza, é a presidente do Ipad e coordenadora do Adebori. Para ela, além de viabilizar o acesso dos negros à universidade, é preciso se preocupar com a permanência deles até o fim do curso. Na noite de hoje, o Adebori será lançado oficialmente na Associação Comercial do Paraná. O projeto é apoiado pela fundação suíça Avina e por alguns empresários. “O primeiro empresário a colaborar foi Francisco Simeão, da BS Colway, que doou R$ 5 mil”, contou Lena.

Inicialmente, serão atendidos quinze estudantes negros da Unibrasil, Pontifícia Universidade Católica e Universidade Federal do Paraná, que receberão bolsa de R$ 250,00 mensais para despesas do curso, serão acompanhados por um professor-tutor e terão atendimento médico e psicológico. “Como contrapartida, eles terão que participar de um programa de iniciação científica sobre as relações sociais no Paraná. Terão que ter notas boas, presença compatível nas aulas e estudar cultura africana”, disse Lena, explicando que a idéia é, com a ajuda de empresários envolvidos com a responsabilidade social, aumentar o número de beneficiados.