Foto: Allan Costa Pinto

Mário Ferrari, presidente do Sindicato dos Médicos no Paraná.

Embora considerado um alento, o reajuste médio de 30% em diversos procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é insuficiente para resolver a defasagem nos valores do sistema – que chegou a 110% no período entre 1994 e 2000. É essa a visão de representantes da classe médica paranaense depois que o Ministério da Saúde divulgou os novos valores na última quarta-feira. O reajuste abrangeu os cerca de mil procedimentos mais defasados na tabela, como o valor das diárias de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), partos, consultas médicas, entre outros.

Luiz Sallim, do Conselho Regional de Medicina do Paraná, afirmou que se deve valorizar a intenção do Ministério da Saúde, embora o reajuste de 30% não cubra sequer os custos de alguns procedimentos. Um exemplo seria o valor fixo de uma diária de UTI, que sai em média R$ 462, mas, mesmo com o aumento divulgado anteontem, o valor do procedimento pelo SUS ainda estará defasado: o pagamento saltou de R$ 341 para R$ 363. Para Sallim, é necessário que os reajustes sejam feitos com mais freqüência, para evitar tantas perdas e, pelo menos, chegar ao valor do custo. ?Acho importante que se criem câmaras técnicas fixas para discutir esses custos permanentemente?, avaliou.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Médicos no Paraná, Mário Ferrari, a medida é bastante ?tímida?, principalmente no que diz respeito ao valor pago pelas consultas médicas, que tiveram reajuste de 32,45% (de R$ 7,55 para R$ 10). Ele defende que o valor fique mais próximo ao da tabela dos planos de saúde, que seria cerca de R$ 40. ?E se isso não acontece, o governo poderia pelo menos liberar os médicos da carga tributária que incide nas consultas do SUS?, disse Ferrari.

Ele lembrou ainda de uma das conseqüências do baixo repasse do SUS. ?Hoje não vemos médicos especialistas atendendo pelo SUS, todos estão abandonando o sistema porque não têm como trabalhar?, afirmou.

O presidente da Federação das Santas Casas, Entidades e Hospitais Filantrópicos do Paraná (Femipa), Charles London, foi mais cauteloso na sua avaliação do reajuste. Segundo ele, o impacto só poderá ser avaliado daqui alguns dias, uma vez que há hospitais onde prevalecem determinados procedimentos que sofreram reajustes maiores na tabela. ?Os hospitais filantrópicos são os que mais sentem com os baixos repasses do SUS, pois pelo menos 60% de seus procedimentos são feitos dessa forma. E para piorar a situação, há cidades que têm apenas um hospital e, ainda por cima, filantrópico?, comentou London.