Os obesos mórbidos paranaenses já podem contar com uma entidade para os ajudar. Recentemente foi criada a Associação Paranaenses dos Operados Bariátricos (Apob), que dá assistência e orientação para pessoas que sofrem de obesidade mórbida e passaram ou pretendem passar por cirurgias de redução de estômago.

No próximo dia 28, na Sociedade Dom Pedro II, em Curitiba, haverá o jantar de lançamento da Apob. Apesar de estar trabalhando há dois anos, a associação foi regulamentada apenas há dois meses.

A presidente da Apob, Maria Stella Bergo Giacomaci, explicou que o principal objetivo do movimento é mostrar para a sociedade as dificuldades pelas quais os obesos mórbidos passam e ajudar, principalmente, aqueles mais carentes.

“É importantíssimo lembrar que a cirurgia deve ser feita somente em casos de obesidade mórbida, quando o paciente realmente está precisando. Não é uma cirurgia estética”, destacou Maria Stella. Ela explicou que existem vários tipos de cirurgias para se perder peso. Elas serão explicadas por médicos durante o jantar de lançamento da associação. “Queremos que a imprensa esteja do nosso lado para mostrar as dificuldades e preconceitos que o obeso mórbido sofre”, salientou a presidente. Ela destacou que para se saber se a pessoa tem obesidade mórbida é necessário fazer cálculos envolvendo altura e peso.

Maria Stella explicou que as pessoas que sofrem do mal precisam de assistência de nutricionistas e de psicólogos.

História

A presidente da associação mede 1,64 m e pesa 73 quilos. Ela se submeteu a uma cirurgia de redução do estômago há pouco mais de dois anos. “Cheguei a pesar 136 quilos”, contou, lembrando que seu problema se agravou depois que seu esposo ficou doente. “Eu era compulsiva por comida. Ficava triste por ele e então comia dois xis-saladas e tomava uma garrafa de dois litros de refrigerante. Aí me arrependia, mas via que já não podia fazer mais nada e depois comia um sorvete. Minha auto-estima estava lá em baixo”, contou.

Maria Stella destacou que conhece uma obesa que sofre porque sua filha tem vergonha dela. “A filha tem vergonha dela na escola. Então a senhora a deixa no colégio e volta para casa nervosa. Daí come tudo que vê pela frente”, lembrou a presidente, destacando o quanto é difícil conviver com a obesidade mórbida.

Grande incidência

Os dados da doença no Brasil são significativos. Aproximadamente 2% de toda população brasileira sofre do mal. Entre as crianças esse percentual sobe para 15%. A obesidade mórbida representa 1,5% das causas de mortalidade em todo País.