Os ônibus da linha Circular Centro circulam com visual diferente na parte traseira. As novas imagens fixadas nos vidros resultam de projetos de artistas visuais curitibanos, vencedores do edital de Arte Urbana do Fundo Municipal da Cultura.

Os projetos foram concebidos especialmente para os ônibus com a proposta de divulgar a arte de jovens artistas e estimular a reflexão de pedestres e motoristas sobre as mensagens que são transmitidas pelas obras.

Seis diferentes propostas circulam nos ônibus. Em comum, elas procuram chamar atenção para os grandes dilemas da cidade grande e da sociedade atual. O artista Francisco Gusso apresenta o projeto “O Galo”, uma pintura em tela, feita com tinta acrílica, que retrata um galo entre folhas e flores envolto em luz vespertina alaranjada, que traz à memória a infância do artista, o quintal de sua casa, no bairro Boa Vista, na Curitiba dos anos 80.

A obra retrata um passado recente, quando ainda era comum criar galinhas e outros animais domésticos nos fundos das casas. A imagem traz para muitos curitibanos a lembrança do passado e alerta para o progresso que ocorreu nas últimas décadas.

A obra “Vertigem”, do fotógrafo Bruno Stock, tem como tema o choque entre a proliferação de imagens e de informação da era digital e a não percepção do mundo visível ao nosso redor.

“As pessoas se isolaram uma das outras e, nos seus caminhos cotidianos, não percebem o que as rodeia, as formas da cidade e passam a apreender o mundo por meio dos jornais, da televisão e da internet”, explica o artista.

O projeto “Ciclista Curitibano”, de Thiago Syen, propõe incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte e mostrar o quanto pode ser prazeroso pedalar em Curitiba.

O desenho criado pelo artista mostra um adolescente montado sobre uma bicicleta reclinada, descansando e recobrando o fôlego para continuar seu caminho após uma longa pedalada.

A obra “Travessia”, de Fábio Follardor, consiste numa imagem capturada a partir de dois processos fotográficos: a câmara escura (pinhole) e a fotografia digital. No entanto, a câmera digital não foca diretamente o ambiente à sua frente, mas a imagem projetada num vidro jateado (dentro da câmara escura).

A imagem é um registro de um dos principais cruzamentos do centro de Curitiba (rua XV de Novembro e avenida Marechal Floriano Peixoto), onde o fluxo é intenso e disputado entre carros e pedestres.

A intenção é provocar uma mudança de comportamento do cidadão em trânsito, seja pedestre ou motorista, contribuindo para que a coletividade se aperfeiçoe. Memória e nostalgia também estão presentes na obra “Varal”, de Tié Passos.

A ilustração, feita com técnicas mistas (desenho com nanquim, pintura digital com texturas de calcogravura e tecidos), mostra varais de roupa disputando espaço com grandes edificações.

A imagem tem o intuito de causar uma contemplação, de um cenário que é ao mesmo tempo calmo e alegre, com um movimento suave do vento balançando as roupas, um clima fresco, com uma lua intensa.

Mais abstrata, a obra “Imagem Pública”, de Juliana Burigo, é resultado de sua investigação plástica sobre a linguagem do desenho. A artista foge do conceito de representação, para explorar outros valores intrínsecos, como movimentação e gesto, espaço e, tempo, ação e conseqüência, figuração e abstração.

“Considerando o trânsito desta imagem no ambiente urbano, acho importante que ela amplie a relação das pessoas com a arte, que normalmente se dá com a atribuição de maior valor a imagens e até mesmo a obras de arte que contêm caráter representativo e ilustrativo”, diz.