O valor da passagem de ônibus da Rede Integrada de Transporte de Curitiba (RIT) vai subir 15,7%, passando de R$ 1,90 para R$ 2,20 a partir da próxima segunda-feira. O preço atual era o mesmo desde abril de 2004. A passagem aumenta também na linha Circular Centro (de R$ 1 para R$ 1,20) e na Linha Turismo, na qual o reajuste passa a valer amanhã (de R$ 16 para R$ 20). A tarifa domingueira continua R$ 1.

A Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), empresa que gerencia o transporte coletivo em Curitiba e região metropolitana, justificou o aumento da tarifa por causa do reajuste no óleo diesel (mais de 50%), no salário dos motoristas e cobradores (31,68%) e no preço dos veículos (47,87%) nos últimos cinco anos.

“A recomposição da tarifa foi a solução necessária para cobrir o avanço dos custos do transporte coletivo, principalmente pela falta de resposta dos governos estadual e federal, em relação aos pedidos de desoneração de tributos feitos pelo prefeito Beto Richa”, explica o diretor de Transporte da Urbs, Fernando Ghignone.

Segundo a Urbs, o aumento da passagem permitirá a renovação e a ampliação da frota de ônibus. Para este ano, estão previstos 152 novos ônibus e a substituição de outros 324 que agora atingem o limite da vida útil de dez anos. Os novos ônibus devem poluir menos e ser mais silenciosos, diz a prefeitura.

Outro argumento para o reajuste é que, no mesmo período, a variação do salário mínimo foi maior, de R$ 240 em abril de 2004 para os atuais R$ 415, elevação de 72,92%. Assim, em 2004, com o valor de R$ 1,90, um salário mínimo comprava 126 passagens. Com a tarifa de R$ 2,20, são 188 passagens.

Dúvida

Mas a comparação é questionada pelo economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese). “Não é o indicador mais correto para se comparar, já que o salário mínimo aumentou muito mais que a inflação nesse período e vem sucessivamente acima da inflação, além do fato de que diversas categorias dependem de negociação coletiva, e não do salário mínimo”, ressalta.

Silva aponta outros problemas no cálculo da planilha que compõe a tarifa de ônibus e reclama da falta de transparência da Urbs sobre a divulgação desses valores. “Não existe padronização nem atualização do coeficiente técnico de consumo, como pneu e diesel. O controle social sobre isso também não tem força”, reclama. Um exemplo dado pelo economista é que um ônibus de duas décadas atrás apresentava um desgaste maior do que um de hoje.

É em função desses problemas que, para Silva, a tarifa ficou mais cara. “Uma tarifa elevada faz com que várias pessoas procurem outras alternativas para se locomover, o que encarece ainda mais, já que o cálculo do custo é feito com base no quilômetro rodado comparado com o número de passageiros”, explica.

Apucarana

O ônibus também fica mais caro em Apucarana, norte do Estado, a partir de segunda-feira. O valor, que é de R$ 1,80 desde 2006, passa para R$ 2. Segundo a prefeitura de Apucarana, o reajuste ficou abaixo do requisitado pela Viação Apucarana Ltda. (VAL), que pedia tarifa de R$ 2,74. Um termo de acordo firmado entre o município e a empresa prevê que o valor deve permanecer o mesmo até 2010.

Estado diz que decisão é unilateral

O governo estadual se pronunciou contra o reajuste na tarifa dos ônibus metropolitanos no fim da tarde de ontem. Em nota divulgada no site oficial, o governo do Estado afirma que não autorizou o aumento na tarifa do transporte coletivo integrado da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e que o reajuste foi fixado unilateralmente pela prefeitura de Curitiba.

Segundo informações do governo estadual, de acordo com um convênio firmado em 1996 entre a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) e a Urbs, a competência pa,ra fixar a tarifa no serviço de transporte coletivo metropolitano é do Estado. “Nesta sexta-feira, a Urbs solicitou a autorização do governo do Estado, mas não esperou a resposta e fixou unilateralmente o novo valor”, diz a nota. No entanto, por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura de Curitiba informou que, como é a responsável por gerenciar as linhas da rede integrada de transporte (RIT), pode decidir sobre o preço da tarifa.

A Comec alegou que precisa de tempo para estudar as planilhas de custo do transporte coletivo que foram recebidas na tarde de ontem para uma avaliação técnica detalhada. A reportagem de O Estado procurou o coordenador da Comec, Alcidino Bittencourt Pereira, para comentar a polêmica, mas não teve retorno.Ainda segundo o site do governo, o secretário estadual do Desenvolvimento Urbano, Luiz Forte Netto, declarou que o Paraná vai retomar os estudos para reduzir a tributação que incide sobre o valor do combustível dos ônibus.