O projeto do vereador Zé Maria (SDD) que autoriza o compartilhamento das recém-criadas faixas exclusivas de ônibus por bicicletas, motos e táxis, e que foi aprovado na comissão de Legislação, Justiça e Redação da Câmara Municipal, está causando polêmica.

Segundo o vereador, a proposta visa dar mais agilidade, sobretudo aos táxis, que ficam presos nos congestionamentos e por isso perdem muitos clientes. Além disso, Zé Maria afirma que em boa parte do tempo as vias exclusivas estão vazias e podem ser utilizadas por outros veículos, além dos ônibus, mas admite que fará alterações no projeto.

“São vias compartilhadas, ou seja, os motoqueiros, por exemplo, quando precisarem ultrapassar os ônibus podem simplesmente ir para a faixa na qual estão os automóveis, sem prejuízo para ninguém. Quanto à possibilidade de bicicletas utilizarem a via compartilhada, vou retirar essa proposta do projeto já que, de fato, pode ser perigoso”.

Opiniões divergentes

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região (Sindimoc), através de seu vice-presidente Dino César Morais de Mattos, é contra o projeto, alegando que aumentará a insegurança e o número de acidentes.

“Compartilhar a faixa que hoje é exclusiva para os ônibus não vai resolver a questão do congestionamento. Além disso, no caso dos ciclistas, a legislação diz que é preciso respeitar a distância de 1,5 metros em relação a eles e aí eu pergunto: Como o ônibus fará a ultrapassagem se mal ele próprio cabe dentro da faixa? Minha sugestão para amenizar o problema dos congestionamentos em Curitiba é a adoção do rodízio de carros”.

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) também se diz contra a proposta afirmando que essa medida aumentaria o tempo de viagem e o risco de acidentes e que a perde desse benefício traz um desincentivo ao transporte coletivo, “totalmente na contramão do que almeja a sociedade, do que defendem especialistas e do que praticam as cidades mais avançadas do mundo”.

Já o presidente do Sindicato dos Taxistas do Estado do Paraná (Sinditáxi), Abimael Mardegan, defende o compartilhamento, mas apenas entre os ônibus e os táxis.  “O fato é que o serviço de táxi é uma utilidade pública e precisamos de agilidade para transportar a população, daí sermos totalmente favoráveis ao compartilhamento”.

Para Mardegan, não há sentido em permitir que motociclistas e ciclistas utilizem essas vias porque atrapalharia o trânsito. “Os motoqueiros já trafegam pelas vias comuns costurando o trânsito e fica inviável permitir que eles trafeguem por essas vias”.

O presidente interino do Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos, Motonetas, Motocicletas e Similares de Curitiba e Região Metropolitana (Sintramotos), Edmilson da Mata, a princípio é favorável com o projeto, mas com restrições.

Mata diz que a maior preocupação é garantir a agilidade dos motociclistas e motofrentistas. “Em boa parte do dia essas vias estão praticamente sem trânsito, mas a minha preocupação é se poderemos ultrapassar os ônibus quando estivermos compartilhando a via com eles, pois se não for permitido, perderemos agilidade”.

Por fim, o coordenador de projetos da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu), Luis Patrício, disse que a associação ainda não tem uma opinião formada sobre o assunto, mas que a tendência entre os associados é rejeitar a proposta.

“O que propomos é uma campanha educativa aliada à sinalização adequada para que exista um controle de velocidade, principalmente porque se tornaria uma via compartilhada. Já ocorreram acidentes fatais nessas vias que atualmente são exclusivas para ônibus, imagine ,então o que pode acontecer quando elas se tornarem compartilhadas, se não existir um controle?”, argumenta Patrício.

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