A tarifa das 12 linhas que atendem a Região Metropolitana de Curitiba continuarão custando R$ 1,50 até que a Urbs – Urbanização de Curitiba S/A – explique porque o órgão, que é ligado à Prefeitura de Curitiba, autorizou o aumento de 8% para 10% nos custos de manutenção e de 12% para 13% nos custos administrativos que incidem no preço final das passagens.

A afirmação foi feita ontem pelo diretor-presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Alcidino Bittencourt Pereira, depois de uma reunião com a presidente da Urbs, Yára Eisenbach, onde foi discutida a auditoria feita pelo governo do Estado nas planilhas de custos do transporte coletivo da Região Metropolitana.

Segundo Bittencourt, a auditoria nas planilhas fornecidas pela Urbs começou em março passado e mostrou várias irregularidades. Mas as mais importantes foram os aumentos nos custos de manutenção das frotas de ônibus e os custos administrativos das empresas, que são cobrados nas tarifas e repassados pela Urbs às empresas que gerenciam o Sistema Integrado de Transporte (SIT).

Ele explicou também que os índices foram publicados no Diário Oficial no dia 24 de maio de 1994, depois de várias discussões entre todos os empresários do setor e técnicos do governo da época. “O que queremos saber é quais foram os motivos que levaram a Urbs a aumentar esses percentuais de forma unilateral, se o aumento foi autorizado pelo governo anterior e se foi publicado no Diário Oficial. Pelos nossos cálculos, R$ 1,50 cobre todos os custos das empresas”, garantiu.

Bittencourt também ressaltou que a Comec não pretende interromper o sistema de transporte que integra a Região Metropolitana a Curitiba, mas afirmou que o governo e a população têm o direito de saber quais são os custos que compõem o preço final das passagens. “Interromper o sistema seria prejudicial à população, mas queremos saber qual seria o preço justo da tarifa”, disse.

Durante a reunião, a presidente da Urbs, Yára Eisenbach, revelou que pouco mais de 5,5 milhões de pessoas da RMC que usam ônibus mensalmente geram uma arrecadação de pouco mais de R$ 8,3 milhões. Já em Curitiba são quase 20 milhões de usuários por mês, que geram uma arrecadação de R$ 33,9 milhões. O sistema de transporte, portanto, fatura R$ 42,2 milhões por mês, dos quais 4% desse total ficam com a Urbs.

O diretor-presidente da Comec e a presidente da Urbs devem se encontrar novamente hoje, quando os técnicos do órgão municipal tentarão explicar o aumento nos índices e as irregularidades encontradas nas planilhas.