Formado em Biologia, Rubens Martins Gaier, 32 anos, mais conhecido como ‘Rubinho‘, transformou o conhecimento por sementes em empreendedorismo. A partir de materiais de origem natural, criou colares, pulseiras, brincos e anéis que despertaram a atenção das mulheres – e hoje fazem parte da marca Menina do Mato.

Morador do Jardim Social, Rubinho conta que sempre gostou de juntar sementes e outras coisas da natureza e levar para casa. ‘Sempre que encontrava coisas diferentes eu juntava, sempre fui meio ’lixeiro’. Estava com um estoque enorme dessas coisas e meu pai queria que eu desse um fim‘, revela.

Como universitário, Rubinho frequentava muitos congressos e reparou em produtos feitos com sementes que eram vendidos nas feiras. Em 2003, começou a fazer as joias, mesmo sem experiência, a partir dos materiais que tinha em casa. ‘Então fui adquirindo mais sementes. Quando encontrava alguém que vendia algo com uma semente diferente, comprava tudo e desmontava‘, diz. ‘Eu queria tirar uns trocadinhos a mais, mas não imaginava que fosse dar tão certo’, comenta.

Mesmo os incidentes durante a produção foram aproveitados por Rubinho para aperfeiçoar as joias. ‘De bobeira, fazendo uma semente eu furava o dedo. De raiva, eu martelava e percebia que dentro dela era diferente. Via que dava para queimar, cortar, lixar‘, afirma. Hoje o biólogo possui 318 variedades de sementes, que passam por processos diferentes para se transformarem em joias.

Produção

O processo de produção não é simples. Rubinho começa pela coleta das sementes. ‘Parte da coleta é feita no próprio jardim urbano. Meus parentes do interior também trazem tudo o que encontram; parte das sementes são compradas e vêm da Amazônia‘, explica. Então é feita a secagem e elas são armazenadas em vidros de conserva com pimenta ou canela, para evitar bichos. ‘Depois que as peças são feitas, são encaixotadas com sílica geral para tirar a umidade. E duas vezes por ano faço a imunização com uma pastilha, um veneno que é usado na agricultura; contra broquinha, besouro, larva de borboleta, entre outros‘, complementa o biólogo.

Dificuldade encarece a peça

O preço das peças do biólogo é feito com base no processo de produção. ‘Analiso pelo tempo que levo para fazer. Tem colar, por exemplo, que leva três dias para fazer. Às vezes é pelo trabalho, às vezes é pela dificuldade de conseguir a semente‘, afirma. ‘Minha própria namorada, quando começamos a sair juntos, viu uma pulseira grossa em meu tornozelo e perguntou quanto era. Ela achou caro, mas hoje ela vê eu fazendo e acha tudo barato‘, destaca Rubinho. Além de sementes, ele usa outros materiais de origem natural, como folhas, penas, madeira e penas.

As joias da Menina do Mato – ‘menina, porque é para mulheres, e do mato, por serem coisas naturais‘, explica Rubinho – podem ser encontradas na feirinha do Largo da Ordem, todos os domingos.

Nada de encomendas

Todo o cuidado é feito para a garantia de quem compra as peças de Rubinho. ‘Se molhar, perdeu. Mas se estragar de outra forma eu aviso que pode trazer para mim que eu refaço, sem custo nenhum, porque eu reconheço as minhas coisas‘, ressalta.

As joias fabricadas por Rubinho são como ‘filhas‘ para ele e provocam ciúme. Tanto é que ele não aceita encomendas e preferiu não montar uma loja virtual, porque não conseguiria atender a demanda. ‘Precisaria de gente para ajudar, mas não funciona. Eu sinto como se estivesse pintando um quadro, fosse dormir e outra pessoa terminasse. Não seria meu‘, diz.
A rotina de Rubinho divide-se entre o trabalho em um laboratório de análises ginecológicas, no período da manhã, e a fabricação das joias. ‘Trabalho com as peças todos os dias, mas tem dias que só fico até cinco da tarde, tem dias que vou até duas da manhã‘, conta.

Gerson Klaina
Paixão pela natureza leva biólogo a confeccionar colares, pulseiras, anéis e brincos com variados tipos de sementes.

Confira no vídeo a conversa com Rubinho.