Foto: Allan Costa Pinto

Passageiros aguardam em filas o embarque no Afonso Pena: atrasos voltam a virar rotina.

Os técnicos e peritos ainda não descobriram os motivos que ocasionaram a pane no Centro Integrado de Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1) de Brasília, no domingo passado, e já precisam se debruçar sobre outro problema de controle aéreo brasileiro. Ontem, uma nova falha técnica no Cindacta 2, instalado no bairro Bacacheri, em Curitiba, provocou transtorno para passageiros que se utilizaram dos serviços aéreos na região Sul e parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste, sob monitoramento desse centro. Apesar disso, no aeroporto internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, o número de atrasos superiores a uma hora foi de apenas 15 até as 18h – bem menor que os 88 registrados no início da semana, quando da pane em Brasília.

De acordo com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), o problema técnico no controle de tráfego em Curitiba estendeu-se por pelo menos duas horas, das 7h30 às 9h30. Mas, em nota, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), em Brasília, disse que o sistema de tratamento de planos de vôo teve de ser reiniciado por volta das 10h40. ?Por conta desse procedimento, com o intuito de preservar a segurança, os vôos tiveram seu espaçamento aumentado de cinco para dez minutos, até que o sistema fosse restabelecido?, informou a nota. ?Esse fato, somado ao grande volume de tráfego aéreo e à operação de apenas uma pista em Congonhas, contribuiu para os atrasos dos vôos.? O Cindacta II não dá informações em Curitiba.

Esta não é a primeira vez que o Cindacta 2 apresenta problemas técnicos em seus equipamentos. Em 19 de outubro houve uma pane no sistema de transmissão de dados dos radares. O problema prejudicou passageiros de 146 vôos. Um mês depois, uma árvore caiu sobre a rede de fibra ótica. Algumas freqüências ficaram indisponíveis por um período. No dia 11 de dezembro houve queda de energia no Cindacta 2, por volta do meio-dia, que durou uma hora. Tudo em função do processo de modernização nos equipamentos. Mais recentemente, no dia 12 de janeiro, apareceu novo defeito no sistema de radiofreqüência.

Atrasos

A despeito da falha técnica, de acordo com a Infraero, das 6h até as 18h de ontem, dos 118 pousos e decolagens previstos para o Afonso Pena, 15 tiveram atrasos de 1h42, em média; outros 52 atrasaram, em média, 37 minutos.

Poucos atrasos significativos foram registrados durante a tarde de ontem no Afonso Pena. Apenas alguns vôos demoraram mais a sair, como o TAM 3010, com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e o GOL 1762, com destino a Maringá. Ambos atrasaram respectivamente 1h05 e 50 minutos. O restante dos atrasos dificilmente ultrapassava vinte minutos ou meia hora.

Mesmo assim, de olho na tela de informações, quem esperava para deixar Curitiba temia ter de passar horas no aeroporto. ?Toda semana chego atrasada para minha conexão?, conta a gerente de marketing curitibana Janaína Bernardes. Já o inspetor de segurança Joaci de Medeiros, que também aguardava para embarcar para São Paulo, reivindicava uma solução para o caos aéreo. ?O consumidor não pode ficar assim, ao ?Deus dará?.