Foto: Anderson Tozato
Manifestantes se posicionaram em frente à Assembléia, com panelas e tampas.

Representantes do setor de bares e restaurantes se reuniram ontem em diversas capitais do País para protestar contra medidas parlamentares que restringem o funcionamento do segmento, como a Medida Provisória 415 – que proíbe a venda de bebidas alcóolicas à beira de estradas federais -, a Lei Seca e a Lei do Tabagismo.

A diretoria nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) escolheu Curitiba para sediar o movimento nacional, com o slogan ?Responsabilidade sim, enganar o povo não?.

Na capital, um panelaço foi promovido em frente à Assembléia Legislativa do Paraná. Em seguida, os manifestantes entregaram uma carta aberta ao presidente da Assembléia, deputado Nelson Justus (DEM), e, na Prefeitura, foram recebidos pelos secretários municipais de Finanças, Luiz Eduardo Sebastiani, de Turismo, Luiz de Carvalho, e do Governo Municipal, Rui Hara.

O desemprego gerado pela criação das novas leis foi o principal argumento utilizado pelos manifestantes para defender a causa. Com a validação da MP 415, a Abrasel calcula que sejam demitidos 400 mil funcionários do setor em todo o Brasil, sendo 30 mil no Paraná. ?Atitudes simplistas somente assumem um posicionamento demagógico em relação à segurança pública e à violência nas estradas?, reclamou o presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci Júnior. Em vez de proibir a venda de bebidas alcóolicas em bares e restaurantes de beira de estrada, Solmucci defende que tenha-se mais fiscalização policial e radares nas rodovias. ?O governo só está prejudicando o setor que mais gera empregos no Brasil?, completou Solmucci. Segundo a Abrasel, são 6 milhões de empregos no setor em todo o País.

Contestação

A manifestação teve posição pública contrária da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead). A presidente da Abead, Analice Gigliotti, definiu o movimento como uma ?irresponsabilidade social? de um segmento que só quer ?proteger seus interesses econômicos?. Em nota, a Abead citou pesquisas que mostram que o consumo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de acidentes de trânsito. ?Somente no ano de 2006, mais de 36 mil pessoas morreram nas estradas do País. Em 61% dos acidentes, o condutor havia ingerido bebida alcoólica. Entre os casos com vítimas fatais, o índice sobe para 75%?, dizia a nota. ?Só não sabemos o que impressiona mais: os números ou a irresponsabilidade de quem não quer leis e ações que contribuam para a saúde e a segurança do povo?, contestou Gigliotti.