O diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Rogério Tizzot, afirmou ontem que é mentirosa a afirmação do presidente regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, que a entidade “nunca deixou de entregar nenhum documento” solicitado pelo DER para que o órgão finalize a auditoria nas seis concessionárias que exploram as rodovias paranaenses.

“Isso não é verdade. Constantemente as concessionárias tentam impedir que o governo faça a auditoria em sua contabilidade atrasando ou, até mesmo, não entregando documentos importantes para a comissão. Temos documentos e testemunhos dos nossos técnicos que comprovam isso”, afirmou Tizzot, que é o coordenador responsável pelas auditorias.

Ele garantiu, ainda, que o governo do Estado tem engenheiros e pessoal técnico para assumir o controle das rodovias paranaenses. Ontem o presidente da ABCR afirmou que “o governo tem condições de assumir as rodovias, desde que tenha pessoal técnico habilitado para o trabalho”.

“É evidente que governo tem engenheiros e profissionais técnicos que possam gerenciar as rodovias. Os profissionais que não tivermos em nossos quadros vamos contratar, exatamente como fazem as concessionárias. Elas sim não têm pessoal especializado e terceirizam todo o trabalho”, explicou.

Já o assessor jurídico do governo, Pedro Henrique Xavier, reafirmou as críticas sobre os supostos estudos realizados pela GV-Consult para as concessionárias, que apontam que o governo do Estado teria que pagar R$ 4 bilhões em indenizações caso assuma o pedágio no Paraná. “Finalmente o Chiminazzo assumiu o óbvio: que o governo tem realmente condições de assumir o controle do pedágio. Além disso, reitero minhas dúvidas sobre a credibilidade dos estudos supostamente realizados pela FGV para as concessionárias. A começar pelo logotipo da fundação, que nos relatórios parece uma cópia primária”, garantiu.

Dívida

O presidente da ABCR também confirmou durante a coletiva que as concessionárias emprestaram cerca de R$ 400 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para investir na recuperação das rodovias.

Segundo os relatórios, o custo da indenização chega a R$ 4 bilhões levando-se em conta os investimentos das empresas realizadas nos últimos cinco anos pelas seis concessionárias, que chegariam a R$ 1 bilhão, as dívidas contraídas por elas, o lucro cessante e os custos com os contratos trabalhistas dos funcionários da empresas.

“Com a finalização da auditoria que está sendo realizada pelo governo e pelo Ministério do Trabalho saberemos se esses números são verdadeiros. Por enquanto não vou comentá-los porque trata-se de suposições”, afirmou Tizzot.