Médicos do Hospital de Clinicas (HC) da Universidade Federal do Paraná realizaram ontem mais uma paralisação em protesto contra a Medida Provisória 568/12, que visa reduzir em 50% os salários dos profissionais da área em nível federal. Ontem, apenas o atendimento de urgência e emergência foi mantido. De acordo com o HC, cerca de 300 dos 369 médicos aderiram ao movimento e foram canceladas em torno de 1.500 consultas e exames. Apenas 15 cirurgias foram realizadas – a média diária gira em torno de 35 a 40.

A recomendação do HC aos pacientes que perderam consultas é que liguem para reagendar. Como os telefones da central de marcação (3360-7833) e o geral do hospital (3360-1800) estão congestionados, a orientação é procurar os números específicos dos ambulatórios no site www.hc.ufpr.br . Serão abertas agendas extras para agilizar a realização das consultas.

Em assembleia na manhã de ontem, a classe decidiu por uma nova paralisação na sexta-feira. Dependendo do resultado das negociações em Brasília, não está descartada uma greve por tempo indeterminado. Após a assembleia, os cerca de 300 manifestantes realizaram uma caminhada do HC até as escadarias da UFPR, na Praça Santos Andrade. Durante o protesto, o trânsito na região ficou bastante complicado.

Na manifestação, os médicos afirmaram que a MP 568 se trata de um retrocesso dentro da saúde pública brasileira. “Não estamos falando só dos médicos, mas de todos os profissionais envolvidos com saúde. O trabalho continua o mesmo, mas os rendimentos são atingidos bruscamente”, afirma. Jairo S. Araújo, pneumologista do HC.

Para Miguel Ibrahin Hanna Sobrinho, chefe do Departamento de Clínica Médica do HC, a medida vai além da redução dos salários. “É uma falta de respeito o que estão fazendo com os servidores federais da saúde. Essa medida desvaloriza o trabalho de muita gente que não está aqui por dinheiro, mas sim por ideologia”, diz. Hoje o HC funciona normalmente.

Recuo

O governo federal recuou na decisão de reduzir o valor dos salários pagos a médicos federais, como previsto pela MP. A ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, admitiu um “erro” na edição da medida que provocou a redução e prometeu corrigi-lo durante a tramitação na Câmara e no Senado. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM), relator da MP, vai apresentar emenda criando uma tabela específica para os salários dos médicos -o que acaba com a redução dos vencimentos.